A Blackstone está elevando sua aposta na infraestrutura de inteligência artificial a uma nova ordem de magnitude. Apenas quatro meses após anunciar uma joint venture de US$ 5 bilhões com o Google para adquirir 500 megawatts de poder computacional, a gigante de private equity já planeja ir muito além. A intenção agora é comprar “vários múltiplos” da capacidade original, o que pode levar o investimento total para a casa das dezenas de bilhões de dólares.

Segundo reportagem do The Information, que cita uma fonte com conhecimento do assunto, o movimento solidifica a tese de que o grande jogo da IA não está apenas no software, mas na infraestrutura física que o sustenta. Para uma firma do porte da Blackstone, que gerencia trilhões em ativos, a estratégia permite alocar capital em escala massiva em um ativo tangível e essencial para a próxima década: os chips e o poder computacional.

A tese do 'pico e pá'

A estratégia da Blackstone é um retorno à cartilha clássica de investimentos em infraestrutura, mas aplicada à revolução digital. Em vez de pulverizar capital em centenas de startups de IA, a firma está comprando os “picos e pás” da corrida do ouro: o poder de processamento. Jas Khaira, que lidera a iniciativa na Blackstone, afirmou em entrevista que a maior convicção da empresa “continua sendo a computação”, comparando a escala da transformação a uma “revolução industrial”, e não a um simples ciclo tecnológico.

Ao firmar uma parceria com o Google para adquirir suas unidades de processamento tensorial (TPUs), a Blackstone não está apenas investindo, mas buscando uma posição de controle sobre um recurso escasso e fundamental. A nova empresa criada pela joint venture fornecerá essa capacidade computacional para outras companhias de IA, posicionando a Blackstone como uma espécie de senhorio da nuvem, capaz de influenciar o ecossistema a partir de sua base.

O movimento sinaliza uma nova arena de competição, onde o capital paciente e de larga escala do private equity desafia o modelo tradicional de venture capital. Se o acesso à computação se tornar tão ou mais importante que o acesso a rodadas de captação, empresas como a Blackstone podem se tornar os novos kingmakers da era da IA. A questão que fica para o mercado é: quem terá acesso a essa infraestrutura e sob quais termos? A Blackstone não está apenas financiando a corrida; está tentando ser dona da mina.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · The Information