Décadas antes de liderar a compra do Chicago Cubs por US$ 845 milhões em 2009, Tom Ricketts conheceu sua esposa, Cecelia, nas arquibancadas do Wrigley Field. A história do casal é uma entre “milhares e milhares”, segundo a diretoria do clube, de romances que floresceram no ambiente descontraído do estádio. O que antes era fruto do acaso, no entanto, está se tornando uma sofisticada estratégia de marketing e engajamento.

Clubes esportivos profissionais nos Estados Unidos estão se posicionando como improváveis cupidos para uma geração de fãs que, embora conectada digitalmente, busca interações mais autênticas. A tese é simples: se os jovens estão abandonando em massa os aplicativos de namoro, mas não perderam o apetite por conexão, o esporte oferece um cenário natural para encontrá-la. O que começou como uma observação sobre comportamento de fãs está virando um novo e promissor modelo de negócio, segundo uma reportagem do site Front Office Sports.

A nova arena do romance

O movimento ganhou tração quando a equipe de marketing do Chicago Cubs notou um influxo de novas seguidoras no TikTok. Ao investigar, descobriram que muitas vinham de subcomunidades como BookTok e RomanceTok — nichos dedicados a livros, especialmente de romance. A conexão era clara: havia um público interessado em beisebol e em histórias de amor. A solução foi unir os dois mundos. O clube produziu internamente uma websérie de ficção para o TikTok, “Nine Innings to Love”, sobre uma escritora que se apaixona por um rapaz que conhece no estádio. Com quase 1 milhão de visualizações, a iniciativa validou a hipótese.

A estratégia dos Cubs ilustra uma mudança fundamental na forma como as marcas de entretenimento enxergam seu público. Em vez de apenas transmitir o jogo, os times passam a orquestrar a experiência social ao redor dele. A percepção é que o esgotamento com a cultura dos aplicativos de namoro, marcada por interações superficiais e algoritmos impessoais, abriu uma avenida para eventos que promovam encontros com um interesse em comum preexistente — a paixão por um time.

Do conteúdo ao encontro

Outras equipes estão sendo ainda mais diretas. O New York Mets, em parceria com a empresa de eventos Hot & Social, promoveu sua primeira “Singles Night Out”. Os ingressos, que davam acesso a uma festa pré-jogo e áreas de convivência exclusivas, esgotaram-se rapidamente, atraindo cerca de 1.300 pessoas, mesmo sob chuva. O sucesso foi tanto que a Coors Light entrou como patrocinadora, e a própria Major League Baseball divulgou o evento em suas redes sociais.

A tecnologia também encontra seu espaço nesse novo cenário, mas com um propósito diferente. O Arizona Cardinals firmou parceria com o Hooked, um aplicativo de namoro que funciona apenas quando os usuários estão no mesmo evento presencial. Durante o “Hooked Day” no estádio, os torcedores podiam baixar o app, ver quem mais estava solteiro no jogo e se encontrar em uma área dedicada. A plataforma serve como um facilitador para a interação real, não como um substituto para ela, desaparecendo ao fim da partida.

Essa tendência, que já atrai o interesse de times da NHL e da NFL, reflete um desejo coletivo por sair da zona de conforto. Como resumiu a fundadora da Hot & Social, Liv Schreiber, as pessoas querem se conectar, mas muitas vezes precisam de um convite para fazê-lo. Alguém, em suas palavras, precisa “dar o primeiro passo” (em inglês, step up to the plate, uma metáfora do beisebol). Ao que parece, os clubes esportivos estão prontos para assumir essa posição no bastão.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Front Office Sports