A Braskem divulgou seus resultados do segundo trimestre com uma dualidade que captura o momento da economia global. A petroquímica viu seus volumes de vendas encolherem em todas as geografias onde opera — Brasil, México e o combinado de EUA e Europa. A demanda por resinas e químicos, um termômetro da atividade industrial, está em baixa, com recuos que chegaram a 8% em resinas no mercado brasileiro e 20% no México.
No entanto, o mercado aplaudiu, com as ações (BRKM5) subindo 3,7% no dia do anúncio. A razão está nos chamados "spreads", a diferença entre o custo da matéria-prima e o preço de venda do produto final. Impulsionados por tensões geopolíticas no Oriente Médio, segundo a empresa, os spreads dispararam, inflando as margens mesmo com menos produtos saindo da fábrica. A leitura é de uma vitória conjuntural, dependente de fatores externos e não de uma recuperação fundamental da demanda.
O dilema do spread
O fenômeno expõe a dinâmica de uma empresa de commodities em um mundo volátil. Conflitos em regiões produtoras de petróleo geram incerteza e pressionam os preços dos derivados petroquímicos. Para a Braskem, isso se traduziu em um aumento de 69% nos spreads de resinas no Brasil e de impressionantes 98% no México. Em essência, a companhia está vendendo menos, mas com um lucro por tonelada muito maior.
O contraponto, no entanto, é a queda na utilização da capacidade produtiva, que recuou de 74% para 70% no Brasil. O dado, reportado pelo Money Times, confirma que a estratégia não é vender mais, mas otimizar o preço em um cenário de oferta restrita. É uma aposta de alto risco: enquanto a volatilidade geopolítica sustentar os preços, os resultados financeiros parecerão robustos. Se o cenário se normalizar, a Braskem ficará exposta à fraqueza da demanda real que forçou a queda original nos volumes.
A estratégia da companhia de "manutenção de níveis de produção", conforme declarado, soa como uma tentativa de navegar na tempestade sem balançar o barco. O desafio será converter essa margem circunstancial em uma posição de mercado mais sólida quando a volatilidade diminuir e a competição por volume, e não apenas por preço, retornar ao centro do palco.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





