Uma profissional de comunicação de 55 anos, com mais de três décadas de experiência, se viu em uma busca infrutífera por emprego após ser demitida. Em 14 meses, foram mais de 300 candidaturas que resultaram em pouquíssimas entrevistas, uma jornada frustrante relatada em um ensaio em primeira pessoa para o Business Insider.

O caso de Leslie Sonnenklar, ex-diretora de conteúdo em uma agência de marketing, não é um ponto fora da curva. Ele joga luz sobre um fenômeno cada vez mais discutido nos mercados de trabalho desenvolvidos, e com ecos no Brasil: o etarismo estrutural, que penaliza profissionais experientes sob o pretexto de serem "superqualificados" ou caros demais. A experiência, antes um ativo, torna-se um passivo.

O custo da senioridade

Sonnenklar levanta a hipótese de que as empresas a consideram "superqualificada" ou "engessada" por seus 32 anos de carreira. Essa percepção é um eufemismo comum para o etarismo. A lógica corporativa, muitas vezes, prefere contratar talentos mais jovens, que podem ser "moldados" e, crucialmente, recebem salários menores. A própria profissional relata ter sido aconselhada por recrutadores a omitir parte de sua trajetória, limitando seu currículo aos últimos dez anos — um sinal claro de que a senioridade é vista como um problema a ser contornado, não uma vantagem a ser celebrada.

A situação é agravada pela tendência de criar vagas "unicórnio", que exigem um amálgama de competências distintas — de estratégia e redação a SEO e design. Para um profissional sênior, especializado em liderança e estratégia, essas descrições são um desalinhamento. O mercado parece buscar generalistas de baixo custo em vez de especialistas experientes, refletindo uma pressão por eficiência que pode sacrificar a maturidade e o julgamento que vêm com o tempo.

Embora tenha uma situação financeira estável, Sonnenklar destaca a frustração de não contribuir para sua aposentadoria e o peso emocional da busca. Sua história serve como um alerta. Em um ecossistema de tecnologia que idolatra a juventude, a experiência acumulada corre o risco de ser descartada. A questão que fica é se as empresas, ao otimizarem custos no curto prazo, não estão perdendo o ativo mais valioso para a sustentabilidade de longo prazo: a sabedoria.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider