O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) fez um aceno direto ao mercado financeiro ao citar o ex-secretário do Tesouro Nacional e atual economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto de Almeida, como um nome cotado para sua equipe econômica. Em entrevista a jornalistas nesta quinta-feira, Cury afirmou ter feito uma “convocação” a Mansueto, embora em tom de brincadeira.

O movimento, que incluiu a confirmação de uma reunião recente com o chairman do BTG, André Esteves, é uma resposta à busca por um “Posto Ipiranga” para seu eventual governo — uma clara tentativa de ancorar sua plataforma com um selo de credibilidade da Faria Lima antes mesmo de detalhar um programa econômico.

O selo de credibilidade

A menção a Mansueto de Almeida não é trivial. Trata-se de um nome que combina experiência no setor público, com uma passagem pelo Tesouro Nacional marcada pela defesa da responsabilidade fiscal, e a chancela do setor privado, ocupando uma posição de liderança em um dos maiores bancos de investimento da América Latina. Para um candidato como Cury, que corre por fora do establishment político, associar-se a uma figura como Mansueto é um atalho para sinalizar ortodoxia econômica.

Essa estratégia de “emprestar” credibilidade de técnicos respeitados é um roteiro conhecido na política brasileira. Ao ser questionado sobre seu “Posto Ipiranga” — metáfora para o fiador econômico que se tornou popular com Paulo Guedes no governo Bolsonaro —, Cury optou por não nomear um único czar, mas lançou o nome de maior peso que poderia para testar a recepção do mercado.

O cálculo por trás do aceno

O formato da declaração é tão relevante quanto o conteúdo. Ao dizer que “brincou” sobre uma “convocação”, Cury lança um balão de ensaio sem se comprometer, medindo a reação do mercado e da imprensa a uma eventual indicação. Segundo o Money Times, que reportou o fato, o candidato afirmou que “avalia vários nomes” para a área econômica.

A conversa com André Esteves, focada em juros “dramáticos” e responsabilidade fiscal, reforça a narrativa. Cury busca alinhar seu discurso às preocupações correntes do capital financeiro, ecoando a visão do próprio Esteves, que recentemente classificou o atual patamar de juros como “muito hostil” para a atividade econômica. A dobradinha — citar o técnico e reunir-se com o banqueiro — compõe um gesto calculado para construir uma ponte com o poder econômico.

Fica a questão se a “convocação” se materializará em um convite formal ou se permanecerá no campo da sinalização estratégica. Por enquanto, o mercado ouve o aceno, mas aguarda a apresentação de um plano econômico concreto. O gesto de Cury mostra que, na corrida presidencial, ter um nome de peso da Faria Lima no radar continua sendo um ativo valioso.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times