A Coinext, uma das exchanges de criptoativos mais antigas em operação no Brasil, anunciou o encerramento de suas atividades de varejo. Em comunicado publicado nesta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, o CEO José Arthur Ribeiro afirmou que a nova realidade regulatória passou a exigir uma estrutura de capital e operação incompatível com o modelo da empresa, fundada em 2017.
O episódio é mais do que o fim de um negócio; é a primeira consequência de alto impacto da formalização do setor de ativos virtuais no país. O movimento da Coinext, que buscou alternativas sem sucesso, serve como um termômetro para o mercado: a era da operação enxuta e desregulada chegou ao fim, e a barreira de entrada acaba de subir drasticamente.
A conta do Banco Central
A decisão da Coinext materializa os temores de parte do mercado desde que o Banco Central publicou, no fim do ano passado, as regras para a operação de Prestadores de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs). Embora o CEO não tenha especificado o ponto exato da discórdia, as atenções se voltam para a Resolução nº 519, que estabelece os requisitos para a obtenção de licença.
O ponto mais sensível é o capital mínimo exigido. O valor final, que varia de R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões dependendo da atividade, é substancialmente maior que o proposto na consulta pública, que previa faixas entre R$ 1 milhão e R$ 3 milhões. Somada à obrigatoriedade de uma sede física própria — vedando o uso de coworkings —, a nova regulação impõe um custo de conformidade que favorece naturalmente players de grande porte, como bancos e exchanges globais, em detrimento de competidores locais que cresceram no ambiente anterior.
O fechamento da operação de varejo da Coinext — a gestora Coinext Asset continua — não é um ponto fora da curva, mas o provável início de uma onda de consolidação. A regulação, embora traga segurança jurídica e institucional, cobra um preço. A questão que fica no ar é quantas outras exchanges brasileiras terão capital e fôlego para pagá-lo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





