O dólar abriu o dia em queda frente ao real, negociado abaixo do patamar de R$ 5,10 nesta quinta-feira. O movimento acompanha a desvalorização da moeda americana na maior parte dos mercados globais, mas tem um componente local decisivo: a expectativa por uma nova pesquisa eleitoral do instituto DataFolha.
A leitura do mercado é que o câmbio se tornou um termômetro sensível da disputa presidencial, com os investidores ajustando posições a cada nova sinalização. Segundo reportagem do InfoMoney, uma pesquisa do instituto Quaest divulgada na véspera já havia mostrado um acirramento na corrida, elevando a percepção de incerteza.
O termômetro político
A volatilidade atrelada às pesquisas não é novidade, mas sua influência sobre os preços dos ativos se torna mais aguda em momentos de alta sensibilidade. Em tese, maior incerteza política tende a pressionar o real, mas o movimento de hoje sugere que outros fatores, sobretudo externos, estão pesando mais no curto prazo.
A queda do dólar, portanto, pode ser interpretada como um movimento de espera, com posições mais leves antes de um dado considerado crucial como o Datafolha. A reação imediata à divulgação da pesquisa será o verdadeiro teste para o apetite ao risco dos investidores com o Brasil.
O fator externo no retrovisor
Enquanto o Brasil olha para as urnas, o mundo olha para o Federal Reserve. O pano de fundo para a queda do dólar globalmente é a expectativa pela divulgação do "payroll", o relatório de empregos dos EUA, na sexta-feira. Este dado é um dos principais insumos para a decisão do banco central americano sobre a taxa de juros.
Um resultado forte pode fortalecer o dólar globalmente, revertendo a tendência de baixa e adicionando uma camada de complexidade para os ativos brasileiros. O mercado local fica, assim, comprimido entre a imprevisibilidade política doméstica e a força da política monetária da maior economia do mundo.
As próximas 24 horas serão, portanto, um teste de estresse para o câmbio. A combinação da nova fotografia eleitoral com os dados do mercado de trabalho americano definirá se o dólar retoma uma trajetória de alta ou se encontra espaço para um alívio mais consistente. Por ora, a palavra de ordem é cautela.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





