O duque e a duquesa de Sussex estão, segundo reportagem da revista Fortune, retornando ao Reino Unido após seis anos vivendo na Califórnia. A mudança, que parece encerrar um ciclo de afastamento da família real, abre um novo e complexo capítulo para o casal: o fiscal. A decisão de voltar agora, e não em quatro anos, pode custar milhões de dólares em impostos.

A cronologia da estadia do casal nos Estados Unidos criou um cenário de ganhos e perdas tributárias. Ao permanecerem fora do Reino Unido por seis anos completos, eles evitaram uma regra fiscal punitiva. Contudo, ao não completarem uma década de residência no exterior, deixaram na mesa benefícios fiscais significativamente maiores, expondo sua fortuna estimada em US$ 60 milhões ao rigor do fisco britânico.

O cálculo dos 10 anos

A principal perda para o casal está atrelada ao prazo de 10 anos de não residência. Segundo especialistas consultados pela Fortune, se Harry e Meghan tivessem esperado para completar uma década fora, poderiam ter protegido seus ativos não britânicos do imposto sobre herança do Reino Unido, que pode chegar a 40%. Além disso, teriam direito a quatro anos de isenção sobre rendimentos e ganhos de capital obtidos no exterior após o retorno.

Na prática, isso significa que seus investimentos nos EUA e o famoso imóvel em Montecito, na Califórnia, agora entram no radar da autoridade tributária britânica. O que poderia ter sido uma repatriação fiscalmente otimizada se tornou uma operação com um passivo potencial de dezenas de milhões de dólares. A decisão, embora pessoal, carrega o peso de uma transação financeira de grande porte.

O alívio dos cinco anos

No entanto, o timing da mudança não foi de todo desfavorável. Ao ultrapassarem a marca de cinco anos como não residentes, o casal escapou de uma regra sobre “não residência temporária”. Essa norma foi criada para impedir que indivíduos deixem o país por um curto período, realizem lucros no exterior e retornem sem pagar impostos sobre esses ganhos.

Por terem ficado seis anos fora, Harry e Meghan garantiram que os rendimentos de seus contratos com Netflix e Spotify, bem como os lucros da nova marca de Meghan, As Ever, auferidos durante o período nos EUA, não sejam tributados em seu retorno ao Reino Unido. Foi uma vitória tática, descrita por um especialista como “impecável”, mas que empalidece perto dos benefícios que uma espera de 10 anos traria.

O movimento do casal ilustra a tensão permanente entre decisões de vida e a matemática fria da tributação global para indivíduos de alto patrimônio. A volta para casa, aparentemente motivada pela reconciliação familiar, veio com uma etiqueta de preço clara, lembrando que no mundo das grandes fortunas, poucos gestos são puramente pessoais.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune