O governo federal se prepara para leiloar a concessão do Aeroporto de Brasília em 17 de dezembro, mas o ativo não virá sozinho. A modelagem da licitação obriga o vencedor a assumir a operação de outros dez terminais menores e deficitários espalhados pelo país, um formato que o próprio Ministro dos Portos e Aeroportos, Tomé Franca, definiu como um “filé com osso”.

Para alguns investidores, o prato ficou com osso demais. A leitura é que o custo operacional contínuo de aeroportos com baixa demanda pode não ser compensado pela receita de Brasília. Ainda assim, a disputa pelo quarto terminal mais movimentado do país promete atrair gigantes internacionais, testando o apetite por ativos de infraestrutura no Brasil, mesmo com estruturas contratuais complexas.

Um prato de riscos calculados

O principal desafio do negócio não está apenas na gestão dos aeroportos regionais, mas na estrutura financeira e temporal do contrato. O vencedor não pagará outorga, mas se comprometerá com uma contribuição variável sobre a receita bruta (mínimo de 5,9%), um pagamento fixo de R$ 628,7 milhões à Infraero e investimentos de R$ 1,2 bilhão em Brasília e R$ 857,8 milhões nos demais terminais.

O ponto mais sensível, segundo especialistas do setor, é o prazo. O contrato se encerra em julho de 2037, um horizonte significativamente mais curto que os 25 a 30 anos usuais em concessões do tipo. Esse fator adiciona pressão sobre a capacidade do concessionário de obter retorno sobre os pesados investimentos obrigatórios, que incluem a construção de um novo terminal internacional em Brasília.

Apetite internacional em jogo

Apesar dos desafios, o leilão mobiliza grandes operadores globais com presença consolidada no Brasil. Segundo fontes do setor citadas na reportagem original do Brazil Journal, a suíça Zurich Airport, que já opera os aeroportos de Florianópolis e Vitória, tem demonstrado forte interesse. A expectativa é que a principal concorrência venha da argentina Corporación America, atual concessionária do terminal por meio da Inframerica.

Correndo por fora, mas com capacidade de surpreender, estão a espanhola Aena, que opera 17 aeroportos no país, incluindo Congonhas, e a mexicana ASUR, que recentemente consolidou sua plataforma de ativos no Brasil. A presença desses players sinaliza um mercado maduro e competitivo, onde os principais grupos globais disputam os poucos ativos de grande porte ainda disponíveis.

O governo aposta que a atratividade de Brasília — um hub com duas pistas de operação simultânea e tráfego de 9,7 milhões de passageiros até julho de 2026 — será suficiente para compensar o fardo dos terminais menores. Se a aposta se pagará, o mercado saberá em 10 de dezembro, data limite para a entrega das propostas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Brasil Journal Tech