O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu a distribuição do tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão para o primeiro turno da eleição presidencial de 2026, e os números traçam um roteiro já conhecido. A coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou com a maior fatia, 5 minutos e 31 segundos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) garantiu o segundo maior espaço, com 4 minutos e 20 segundos.
Os dados, divulgados pelo TSE e reportados pelo InfoMoney, não são mera formalidade burocrática. Eles representam o primeiro mapa concreto do campo de batalha eleitoral, onde o tempo de exposição é um dos ativos mais valiosos. A matemática reflete a força das alianças partidárias e o tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados, consolidando na tela uma polarização que já domina o debate político e deixando pouco oxigênio para candidaturas alternativas.
A aritmética do Congresso na tela
A vantagem de Lula não vem apenas do PT, mas da arquitetura de uma ampla coligação que inclui sete partidos, como PSB, PDT e PSOL. É uma estratégia clássica para maximizar o tempo de TV, transformando apoio parlamentar em minutos preciosos de comunicação com o eleitor. Do outro lado, o PL de Flávio Bolsonaro demonstra sua força como sigla individual. Mesmo sem um arco de alianças tão vasto, a legenda garantiu um tempo robusto graças à sua expressiva bancada, uma das maiores da Câmara.
Juntos, os dois principais campos políticos somam quase dez minutos de exposição nos blocos diários, além de centenas de inserções ao longo da programação. A estrutura do horário eleitoral, portanto, funciona como um espelho do poder congressual, premiando as forças que saíram mais fortes da eleição anterior e criando um ciclo que reforça os polos estabelecidos.
O desafio da terceira via
Para os demais pré-candidatos, o cenário é desolador. Ronaldo Caiado (PSD) terá pouco mais de dois minutos, enquanto Augusto Cury (Avante) contará com apenas 35 segundos. Nomes como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) ficaram sem tempo algum. Na prática, a regra os exclui da principal vitrine gratuita da política brasileira, tornando a tarefa de construir reconhecimento nacional exponencialmente mais difícil e cara.
Sem acesso massivo ao rádio e à TV, essas campanhas serão forçadas a uma estratégia predominantemente digital, dependente de redes sociais, cobertura da imprensa e da capacidade de gerar engajamento orgânico. A batalha pela chamada “terceira via” será travada em um terreno mais fragmentado e, em muitos aspectos, mais custoso, longe do alcance massivo que apenas o horário eleitoral ainda proporciona.
A distribuição do tempo não determina o resultado da eleição, mas estabelece o ponto de partida e as regras do jogo. A questão que se impõe é se uma campanha travada majoritariamente no ambiente digital tem força para romper a poderosa gravidade exercida pelos minutos e segundos na televisão aberta.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





