A missão para estender a vida útil do Observatório Neil Gehrels Swift, da NASA, sofreu um revés crítico. A espaçonave robótica LINK, desenvolvida pela startup Katalyst Space Technologies, perdeu estabilidade e começou a girar sem controle no espaço, comprometendo a aproximação ao telescópio, que está em uma órbita cada vez mais baixa.

O incidente, reportado pela NASA e pela própria Katalyst, expõe a fragilidade de operações orbitais complexas, mesmo quando executadas por parceiros comerciais. A falha não apenas ameaça um telescópio com duas décadas de serviço, mas também serve como um teste de estresse para o nascente e promissor mercado de serviços em órbita.

Uma aposta de alto risco

A missão da LINK era inédita: acoplar-se a um satélite que não foi projetado para ser reparado e usar sua própria propulsão para elevá-lo a uma órbita mais alta, fugindo do arrasto atmosférico que o levaria a uma reentrada destrutiva. Lançado em 2004, o Swift viu sua órbita decair mais rápido que o previsto, em parte devido à intensa atividade solar recente, e corria o risco de cair na atmosfera antes de 2027.

O problema parece ter se originado no sistema de controle de atitude, com a falha de duas das três "rodas de reação" que mantêm a nave estável. Embora a Katalyst afirme que sistemas cruciais como a propulsão elétrica e o braço robótico continuam operacionais, a recuperação do controle é uma manobra delicada e sem garantia de sucesso, dependendo agora do uso dos propulsores elétricos para frear a rotação.

O futuro da manutenção orbital

O episódio é um balde de água fria para a indústria de "logística espacial". Empresas como a Katalyst, e outras como a Northrop Grumman com seu Mission Extension Vehicle, apostam que será mais barato e sustentável reparar e reabastecer satélites existentes do que lançar novos. Uma falha pública em uma missão de alto perfil com a NASA pode abalar a confiança de investidores e clientes comerciais neste modelo de negócio.

Os engenheiros agora tentam uma solução de contorno que exigirá reprogramar o software de voo. O sucesso ou fracasso desta recuperação definirá não apenas o destino do Swift, mas também pode influenciar o ritmo de desenvolvimento de um setor que promete transformar a economia espacial, tornando-a mais circular e menos descartável.

Enquanto a Katalyst trabalha para salvar a LINK, a comunidade espacial observa atentamente. O que está em jogo é mais do que um telescópio: é a prova de conceito de que a infraestrutura espacial de hoje pode ser mantida e estendida, em vez de simplesmente se tornar lixo orbital.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · El Confidencial — Tech