Em uma declaração em sua plataforma Truth Social nesta segunda-feira, o presidente americano Donald Trump afirmou que o Irã está em “colapso total”. O timing da postagem coincide com a preparação de novas sanções por Washington e um novo recorde de baixa da moeda iraniana, que atingiu 2,02 milhões de riais por dólar no mercado paralelo.

A leitura de Trump, no entanto, captura apenas uma parte da complexa equação geopolítica. Embora a economia iraniana esteja sob severa pressão — com inflação galopante e uma contração do PIB prevista em mais de 5% pelo FMI —, o regime de Teerã mantém uma alavanca estratégica poderosa: o controle sobre o Estreito de Ormuz, por onde transita uma fração vital do petróleo mundial.

A estratégia da asfixia econômica

O cerco econômico a Teerã é inegável e multifacetado. A desvalorização do rial pulveriza o poder de compra da população, que vê o preço de itens básicos como arroz e carne disparar. A pressão é amplificada por movimentos diplomáticos e comerciais, como a recente decisão dos Emirados Árabes Unidos — um parceiro comercial histórico — de suspender todas as relações comerciais com o Irã.

O governo Trump aposta na intensificação dessa asfixia. Em artigo no Financial Times, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, defendeu a dureza das sanções, afirmando que elas “devastaram a economia do Irã”. A promessa de novas medidas, incluindo sanções secundárias a países que ainda negociam com Teerã, visa isolar completamente o regime, na esperança de que a pressão econômica se traduza em concessões políticas.

O trunfo assimétrico de Teerã

A resposta iraniana tem sido assimétrica. Incapaz de competir economicamente ou militarmente de forma direta, Teerã transformou o Estreito de Ormuz em sua principal arma. Ao atacar e ameaçar navios, o Irã paralisou o tráfego na hidrovia, gerando um choque na economia global e aumentando a pressão sobre o próprio Trump às vésperas de eleições legislativas nos Estados Unidos.

O impasse transformou a disputa em uma batalha pelo controle do estreito. O Irã agora condiciona a reabertura total da via à cobrança de taxas, uma tentativa de monetizar seu poder de fato. As negociações com Omã para uma gestão conjunta da hidrovia indicam um esforço para formalizar essa nova realidade, transformando um ato de disrupção em uma fonte de receita e legitimidade geopolítica.

A guerra, portanto, degenerou em um cabo de força. De um lado, a asfixia financeira imposta por Washington. Do outro, a mão iraniana sobre a jugular do petróleo global. Enquanto cidadãos como Sadegh Mahmoudi, de 73 anos, correm para trocar suas economias por dólares em Teerã, a liderança do país joga uma partida de xadrez de alto risco, onde a crise econômica interna é o preço a pagar pela relevância estratégica externa.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times