O mais novo grande observatório da NASA, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, já está a caminho de sua posição no espaço profundo. Lançado a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX, o Roman representa a próxima fronteira na observação cósmica, mas seu trabalho científico só começará em alguns meses.

Antes de revolucionar o estudo de exoplanetas e da energia escura, o telescópio tem uma longa jornada e uma rigorosa fase de testes pela frente. A missão agora entra em sua etapa mais delicada: a viagem e o comissionamento. A leitura aqui é que o Roman não é um substituto, mas um complemento estratégico ao James Webb (JWST), com um foco em escala e volume de dados que o Webb não foi projetado para ter.

A vizinhança cósmica do Ponto L2

O destino do Roman é o Ponto de Lagrange Sol-Terra 2 (L2), um local a cerca de 1,5 milhão de quilômetros de nosso planeta. Segundo a NASA, este ponto de equilíbrio gravitacional é um endereço nobre, já ocupado pelo JWST e pelo telescópio europeu Euclid. A localização permite que o observatório mantenha uma órbita estável com consumo mínimo de combustível, além de usar seu corpo para bloquear a luz do Sol, da Terra e da Lua, garantindo a estabilidade térmica necessária para seus instrumentos infravermelhos.

A viagem até o L2 levará cerca de 30 dias. Uma vez lá, o Roman traçará uma órbita ampla ao redor do ponto, mantendo-se a uma distância segura de seus vizinhos. Essa estabilidade, segundo a agência espacial, permitirá uma melhoria de até dez vezes na qualidade de parte dos dados coletados em comparação com o Hubble.

Dois instrumentos, uma missão ampla

Concluída a jornada, inicia-se a fase de comissionamento, que deve preparar o telescópio para o início das operações científicas no começo de 2027. O processo envolve a calibração de seus dois instrumentos principais. O primeiro é o Instrumento de Campo Amplo (WFI, na sigla em inglês), uma câmera infravermelha de 300 megapixels que fornecerá um campo de visão 100 vezes maior que o do Hubble. Seu objetivo é realizar grandes levantamentos do céu para mapear a estrutura do universo e a história de sua expansão.

O segundo é o Coronógrafo (CGI), um instrumento de demonstração tecnológica projetado para bloquear a luz de estrelas distantes. Isso permitirá, pela primeira vez, a imagem direta de planetas que são quase um bilhão de vezes mais tênues que suas estrelas hospedeiras, um feito inédito que abrirá uma nova janela para a caracterização de mundos alienígenas.

A missão primária do Roman está planejada para durar cinco anos, mas o histórico de observatórios como o Chandra, operacional há mais de 25 anos sem manutenção direta, gera otimismo para uma vida útil estendida. Mais do que um sucessor, o Roman inaugura uma nova era de astrofísica de dados em larga escala, gerando catálogos cósmicos que alimentarão a ciência por décadas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Space.com