O governo das Ilhas Baleares, na Espanha, deu sinal verde para um projeto de €9,3 milhões destinado a modernizar integralmente o sistema de saneamento de Portocolom, um núcleo urbano costeiro. A iniciativa abrange a ampliação da estação de tratamento de águas residuais (ETAR), a remodelação de uma estação de bombeamento e a substituição do coletor que conecta as duas estruturas.
Mais do que uma simples obra de engenharia civil, o projeto é um estudo de caso sobre a digitalização da infraestrutura básica. Segundo a Forbes España, o plano, com início previsto para 2027 e duração de um ano e meio, visa adaptar as instalações às necessidades atuais e futuras. A leitura aqui é que o futuro do saneamento não reside apenas em maior capacidade, mas em maior inteligência operacional.
Do concreto aos sensores
A modernização vai além da troca de equipamentos antigos. O cerne da atualização está na implementação de tecnologias para melhorar a qualidade do tratamento e a eficiência da gestão. A estação contará com um novo sistema de desodorização e, crucialmente, com sistemas avançados de controle baseados em sensores conectados a uma plataforma SCADA (Supervisory Control and Data Acquisition).
Na prática, isso transforma uma infraestrutura passiva em um sistema ativo e responsivo. A gestão deixa de ser reativa para se tornar preditiva, permitindo um controle fino do processo de tratamento, otimização do consumo de energia e manutenções programadas com base em dados reais. A substituição da tubulação de fibrocimento por polietileno de alta densidade resolve um problema de fim de vida útil, mas é a camada digital que representa o verdadeiro salto de qualidade e resiliência para o sistema.
O financiamento, assegurado pelo "canon de saneamiento", uma taxa local, também oferece uma lição sobre sustentabilidade econômica para projetos de longo prazo. A obra em Portocolom, embora geograficamente distante, ecoa desafios enfrentados no Brasil. A modernização de infraestruturas críticas, especialmente no saneamento, passa necessariamente pela incorporação de tecnologia para gestão inteligente e pela criação de modelos de financiamento que garantam sua manutenção e evolução. O futuro do saneamento é, cada vez mais, uma disciplina de software e dados.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





