A placa desbotada na beira da estrada dizia apenas "estúdio de taxidermia" e apontava para um caminho secundário. O designer de produção Brandon Tonner-Connolly, procurando adereços na Ilha de Vancouver para um novo filme de terror, decidiu seguir. Chegou a uma casa isolada, em silêncio absoluto. "Ninguém sabe onde estou agora", pensou ele. "Este é um momento muito 'Massacre da Serra Elétrica'." A ironia é que a cena, digna de um filme, era parte do processo de criação de outro: Teenage Sex and Death at Camp Miasma, um longa que se propõe a ser, antes de tudo, uma imersão em um mundo de conto de fadas macabro.

O filme, dirigido por Jane Schoenbrun, acompanha uma cineasta (Hannah Einbinder) que busca reviver uma antiga franquia de terror e vai ao encontro da estrela original, interpretada por Gillian Anderson, que agora vive reclusa no set abandonado do primeiro filme. A missão dos designers Tonner-Connolly e Matt Hyland era criar um universo que fosse, ao mesmo tempo, um set de filmagem e um refúgio fantasioso. Segundo reportagem da revista Dezeen, a intenção nunca foi apenas assustar, mas "levar o público na melhor jornada possível".

A colisão de gêneros

Para construir a estética do filme, a dupla de designers operou como um DJ de referências culturais. A base é o filme slasher dos anos 80 — Sexta-Feira 13, Halloween, A Hora do Pesadelo —, mas não em uma reprodução fiel. A abordagem, segundo Hyland, era entrar na mentalidade de quem fazia um filme de terror naquela época, com os recursos disponíveis. O resultado é uma homenagem que se sente mais como memória afetiva do que como um documento histórico.

Sobre essa base, eles aplicaram uma camada de romance gótico, inspirados em obras como Drácula de Bram Stoker, de Francis Ford Coppola, para injetar o melodrama e a beleza decadente que a história pedia. A mistura se completa com toques do cinema de arte, como o filme japonês Kwaidan e o clássico Narciso Negro, onde até mesmo os cenários externos eram construídos em estúdio, criando uma realidade deliberadamente artificial e teatral. É a partir dessa colisão de gêneros que o universo do filme ganha sua textura única: um lugar onde o pavor e o sublime coexistem.

O artesanato do pesadelo

Essa fusão de estéticas se reflete nas técnicas empregadas. Para criar as paisagens fantásticas que emolduram o acampamento de verão, os designers recorreram a um método quase esquecido: a pintura em placas de vidro, posicionadas em frente à câmera para criar fundos que parecem saídos de uma ilustração. É um aceno direto a uma era pré-digital do cinema, reforçando a sensação de um "mundo de livro de histórias". Em paralelo, a equipe replicou detalhes específicos de filmes clássicos, como um suporte de coletes salva-vidas, como um easter egg para fãs atentos.

Contudo, o artesanato não se limita ao analógico. Para dar vida ao "Palácio de Carne", um dos cenários centrais, a equipe partiu de uma ilustração conceitual, a transformou em um modelo 3D e usou um robô para esculpir as formas onduladas e venosas em espuma. A tecnologia moderna foi usada para materializar uma visão orgânica e perturbadora. Essa dualidade entre o antigo e o novo, o artesanal e o digital, espelha a própria narrativa do filme, que se move entre o presente e a memória de um terror dos anos 80.

No fim, o objetivo de tanto detalhe, da taxidermia encontrada por acaso às paredes esculpidas por robôs, não é apenas servir à câmera. É criar um mundo completo, onde cada gaveta pode ser aberta, cada objeto tem uma história. É um convite para que elenco, equipe e, por fim, o espectador possam "se perder nesta bolha e criar esta obra de arte íntima", como define Tonner-Connolly. O verdadeiro horror, afinal, talvez não esteja no monstro, mas na sedutora perfeição de seu covil.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen