O preço do petróleo Brent, principal referência global, opera em US$ 87,41 por barril na manhã desta quarta-feira, uma queda de mais de 3% em relação ao dia anterior. A baixa, no entanto, mascara uma realidade mais complexa: a cotação atual está quase 30% acima do registrado no mesmo período do ano passado, segundo dados compilados pela Fortune.

Essa oscilação constante não é apenas um dado para operadores do mercado financeiro. Ela é o epicentro de pressões inflacionárias que afetam desde o custo do frete até o preço final dos alimentos no supermercado. Entender a mecânica por trás da volatilidade do petróleo é fundamental para decifrar a trajetória da economia.

A instabilidade como padrão

A dinâmica de oferta e demanda continua sendo o principal motor dos preços, mas é constantemente abalada por fatores exógenos. Temores de uma desaceleração econômica global, conflitos geopolíticos e decisões de cartéis como a OPEP+ podem provocar movimentos bruscos e imprevisíveis. A história do petróleo é marcada por essa volatilidade.

Desde o choque da década de 1970, com o embargo árabe, passando pela queda nos anos 1980 com a entrada de novos produtores, até o pico de 2008 seguido pelo colapso na crise financeira e a baixa histórica durante a pandemia de 2020, a estabilidade nunca foi a norma. O preço atual, embora menor que o de um mês atrás, reflete essa tensão permanente.

Da cotação à bomba

Para o consumidor, o impacto mais visível está no preço da gasolina. O custo do petróleo bruto representa mais da metade do valor final na bomba, mas a correlação não é perfeitamente simétrica. O mercado observa um fenômeno conhecido como "foguetes e penas": os preços sobem rapidamente quando o barril encarece, mas demoram a cair quando ele barateia.

Isso ocorre porque outros custos, como refino, distribuição, impostos e a margem dos postos, também compõem o preço final. Em cenários de crise, governos podem acionar reservas estratégicas para mitigar choques de oferta, como fazem os Estados Unidos com sua Reserva Estratégica de Petróleo. Contudo, essa é uma medida paliativa, não uma solução estrutural para a volatilidade.

Prever o rumo do petróleo é um exercício de futurologia. Entre guerras, recessões e a transição energética, a única certeza é a incerteza. Para empresas e governos, o desafio é navegar em um cenário onde a principal commodity energética do mundo continua sendo uma fonte constante de instabilidade econômica.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune