A Noruega, um dos membros da OTAN na linha de frente de um possível conflito com a Rússia, está extraindo lições cruciais do campo de batalha ucraniano. Ao liderar um programa multinacional de treinamento para soldados da Ucrânia na Polônia, seus oficiais chegaram a uma conclusão alarmante: a guerra de atrito, estática e sangrenta que define o conflito atual é uma armadilha estratégica que o Ocidente precisa evitar a qualquer custo.
Segundo reportagem do Business Insider, a principal lição para as forças armadas norueguesas não é como vencer uma guerra de trincheiras, mas como impedir que um conflito chegue a esse ponto. Para uma nação pequena como a Noruega, com cinco milhões de habitantes, um combate com dezenas de milhares de baixas por mês, como as estimadas na Ucrânia, seria existencial. A leitura estratégica é clara: a prioridade é preservar a capacidade de manobra.
A armadilha da paralisia
A guerra na Ucrânia evoluiu para um impasse onde defesas profundas, campos minados e a vigilância onipresente de drones criaram uma vasta “zona da morte” ao longo da linha de frente. Nela, concentrar forças para um ataque em larga escala tornou-se uma tarefa quase suicida. Qualquer movimento é detectado e neutralizado rapidamente, forçando ambos os lados a uma luta metro a metro, com ganhos marginais a um custo humano e material exorbitante.
“Acho que o mais importante para a Noruega como uma nação pequena é evitar chegar a essa situação”, afirmou o Major John, oficial de operações do programa de treinamento, ao Business Insider. O Brigadeiro Atle Molde, comandante da força-tarefa, foi ainda mais direto: “Nenhum país ocidental está preparado” para este cenário. A preparação, segundo ele, precisa ir do nível da sociedade como um todo até o soldado individual, e o objetivo é um só: não ficar atolado.
Tecnologia para restaurar o movimento
Para a Noruega e outros membros da OTAN, a solução não é abandonar suas forças mecanizadas, mas sim investir em tecnologias que permitam seu movimento mesmo sob intensa vigilância. A análise aponta para a necessidade de sistemas de defesa aérea robustos, capacidades de contra-drones e guerra eletrônica sofisticada para criar “bolhas” de segurança que permitam o avanço de tanques e tropas.
Embora a OTAN possua vantagens significativas que a Ucrânia não tem, como poder aéreo para potencialmente dominar os céus, o conflito também sublinhou a importância da massa. A capacidade ucraniana de produzir milhões de drones de baixo custo é uma lição em si. O futuro da doutrina militar ocidental parece residir em um modelo híbrido: sistemas de ponta para permitir a manobra, combinados com a escala de tecnologias mais baratas para saturar o campo de batalha.
A experiência ucraniana funciona como um laboratório em tempo real. Os militares ocidentais aprendem diariamente com a inovação forçada pela necessidade em Kiev. Contudo, a lição mais profunda que está sendo integrada aos manuais da OTAN é paradoxal: aprender com a Ucrânia para garantir que nunca precisem lutar como a Ucrânia.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





