O capital de risco parece estar fazendo as pazes com as startups de social media. Após um ano desolador em 2025, o volume de investimentos na categoria já ultrapassou a marca do ano anterior, somando US$ 355 milhões em pouco mais de 50 rodadas até julho de 2026. O valor supera os US$ 330 milhões investidos em 97 acordos ao longo de todo o ano de 2025, segundo dados da PitchBook compilados em uma reportagem do Business Insider.

A retomada, ainda que modesta, quebra uma tendência de queda contínua desde o pico de 2021, quando o furor em torno de aplicativos como Clubhouse e BeReal levou a aportes de US$ 2,2 bilhões. A tese que agora atrai os cheques, no entanto, é diferente: a aposta é que a inteligência artificial pode ser o ingrediente que faltava para criar uma nova geração de plataformas sociais, capazes de competir em um mercado dominado por gigantes.

O antídoto para a saturação

Nos últimos anos, o consenso no Vale do Silício era que o setor de "consumer social" estava esgotado. Com a atenção dos usuários monopolizada por Meta e TikTok, a ideia de construir uma nova rede social do zero soava como uma empreitada fadada ao fracasso. "Todos fugiram do consumidor alguns anos atrás", afirmou Rick Heitzmann, cofundador da FirstMark Capital, ao Business Insider. Esse êxodo abriu espaço para um grupo seleto de investidores que continuaram buscando oportunidades.

A inteligência artificial serviu como o catalisador para reacender o interesse. As novas startups não estão tentando ser um "novo Facebook", mas sim redes "nativas de IA". Um exemplo é a Eigen, que captou US$ 15 milhões em uma rodada semente para desenvolver um "amigo mútuo" baseado em IA, que funcionaria como um agente para conectar pessoas. A proposta não é mais um feed de conteúdo, mas uma nova forma de intermediação social.

Nicho, utilidade e a dúvida da permanência

Além da IA, a estratégia para os novos players parece ser a busca por nichos e utilidade. A Fizz, uma plataforma anônima para a Geração Z, e a Corner, um aplicativo de mapas para compartilhar lugares, ilustram essa tendência. Elas não competem pela totalidade do tempo do usuário, mas por momentos e contextos específicos, algo que os incumbentes, com sua abordagem massificada, têm mais dificuldade em capturar.

A grande questão, no entanto, é a da permanência. O ecossistema de tecnologia é repleto de exemplos de aplicativos sociais que tiveram uma ascensão meteórica seguida de um rápido declínio. O capital que flui agora, impulsionado pela narrativa da IA, ainda precisa passar pelo teste mais difícil: o da retenção de usuários a longo prazo. O dinheiro voltou à mesa, mas a prova de que esses novos modelos podem criar hábitos duradouros ainda está por ser feita.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider