O governo federal destravou um mecanismo de R$ 1 bilhão para aliviar as filas do Sistema Único de Saúde (SUS). Através do programa "Agora Tem Especialistas", 259 hospitais privados e filantrópicos poderão abater impostos federais em troca da realização de mais de 600 mil consultas, exames e cirurgias para pacientes da rede pública. A iniciativa, reportada pelo Money Times, ataca gargalos crônicos em 21 estados.
A aposta é em um modelo de incentivo baseado em performance. Em vez de transferir recursos diretamente, o governo oferece um crédito tributário que só é liberado após a comprovação do serviço prestado e auditado pelas secretarias de saúde. É uma tentativa de comprar capacidade ociosa do setor privado para resolver um problema público urgente, trocando o investimento em infraestrutura de longo prazo por uma solução de impacto mais imediato.
O pragmatismo do abatimento fiscal
O cerne da estratégia é a troca de passivos tributários por serviços. Para os hospitais, é uma forma de monetizar sua estrutura em momentos de menor demanda. Para o governo, é uma maneira de ampliar a oferta de serviços especializados — como oftalmologia, cardiologia e ortopedia — sem o custo e o tempo de construir e equipar novas unidades públicas. O modelo mitiga o risco fiscal, pois a renúncia de receita está atrelada à entrega.
A questão central é a escala e a sustentabilidade. Embora a medida seja cirúrgica para reduzir filas eletivas, ela não resolve os problemas estruturais do SUS. O próprio governo parece ciente disso, ao anunciar em paralelo o envio de médicos especialistas e a construção de novas policlínicas, indicando que a parceria com o setor privado é vista como um complemento, não um substituto.
O programa funciona como um laboratório para um SUS mais flexível e orientado a resultados. O desafio será medir não apenas o volume de atendimentos, mas o impacto real na qualidade e no tempo de acesso para o paciente, garantindo que a solução de curto prazo não crie uma dependência que comprometa o fortalecimento do sistema público a longo prazo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





