A Casa Branca detalhou sua nova ofensiva comercial contra o Brasil: uma sobretaxa de 25% sobre produtos do país. A notícia, no entanto, veio acompanhada de um anexo que roubou a cena: uma lista com 864 exceções, que poupa itens cruciais da pauta de exportação brasileira, como carne bovina, suco de laranja e componentes para aeronaves.

O movimento sugere menos um bloqueio comercial e mais uma manobra de precisão cirúrgica. A leitura aqui é que a medida é desenhada para exercer pressão política sobre Brasília, mas sem desestabilizar cadeias de suprimento e preços dentro do próprio mercado americano.

Protecionismo com régua e compasso

A lógica por trás das isenções revela as prioridades domésticas do governo americano. A justificativa para isentar a carne bovina, por exemplo, foi explícita. Segundo Jamieson Greer, representante de Comércio da Casa Branca, a decisão visa garantir o abastecimento e preços "razoáveis" para o consumidor americano, num momento em que o rebanho bovino local está em seu menor nível em 75 anos. Não se trata de um favor ao Brasil, mas de pragmatismo econômico.

Este cálculo se estende a outros produtos. A isenção para suco de laranja, açaí, água de coco e até componentes aeronáuticos aponta para dependências específicas da indústria e do varejo dos EUA. Cada produto poupado representa um elo em uma cadeia de valor que a Casa Branca julgou arriscado demais perturbar. Ao mesmo tempo, o governo americano deixou um aviso claro contra qualquer retaliação, ameaçando endurecer as medidas.

Para o Brasil, o cenário é complexo. A tarifa pune, mas as exceções aliviam a pressão sobre setores-chave do agronegócio e da indústria. A lista de isenções, no fim, diz mais sobre as vulnerabilidades americanas do que a sobretaxa diz sobre a força de sua diplomacia comercial.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney