Brad Gerstner, fundador da Altimeter Capital, fez uma proposta pública e inusitada a Warren Buffett. Através de uma postagem na rede social X, Gerstner sugeriu que o lendário investidor direcione parte de sua fortuna, avaliada em quase US$ 150 bilhões, para o programa "Trump Accounts", do qual é o arquiteto. A ideia é criar um "dividendo Buffett" para semear "os próximos 250 anos de capitalismo americano".

A proposta, reportada pelo Business Insider, surge no momento em que Buffett acelera seu plano de doar a totalidade de suas ações da Berkshire Hathaway até 2034. O movimento de Gerstner não é apenas um apelo filantrópico; é um lance que borra as fronteiras entre a generosidade privada, a política pública e o legado de um dos maiores capitalistas da história. A questão que fica é se a solução para a desigualdade deve vir de um cheque bilionário ou de uma estrutura de Estado.

O "Sonho Americano" em um ETF

As "Trump Accounts" são, em essência, uma política de capital semente para cidadãos. O programa prevê um depósito federal de US$ 1.000 em contas de investimento para crianças nascidas entre 2025 e 2028, com a possibilidade de aportes anuais de até US$ 5.000. O dinheiro seria alocado em fundos de índice de baixo custo, uma estratégia que o próprio Buffett defende há décadas como a mais segura para a criação de riqueza a longo prazo. Aos 18 anos, a conta se converteria em uma conta de aposentadoria individual (IRA).

A ironia é que a filosofia por trás do programa é puro "Buffettismo": investir cedo, de forma consistente e com foco no mercado americano. Gerstner joga com essa simetria ao apelar para o legado do investidor, que comprou sua primeira ação aos 11 anos. A proposta busca transformar um princípio de investimento pessoal em uma política social de larga escala, financiada por um ícone do próprio sistema que ela visa perpetuar.

Buffett ainda não se pronunciou. Sua decisão, ou a falta dela, será um statement por si só. O convite de Gerstner, que conta com o apoio de Michael Dell, coloca em xeque o papel da megafilantropia no século 21. Em vez de remediar problemas, como faz a Fundação Gates com saúde global, a proposta é usar o capital privado para semear uma nova geração de capitalistas. A questão é se este é o legado que Buffett quer deixar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider