Para o público, o Grupo Ollamani, de Emilio Azcárraga, é sinônimo do Club América e do icônico Estádio Azteca. Contudo, os números revelam uma história diferente: o verdadeiro motor de rentabilidade da companhia, cindida da Televisa em 2024, está nos cassinos. A rede PlayCity não só gera as maiores margens, como também apresenta uma estabilidade financeira que o volátil negócio do futebol não consegue igualar.

Segundo reportagem do veículo mexicano Expansión, essa dinâmica expõe uma estratégia clássica de diversificação. De um lado, um ativo de imenso valor cultural e midiático, mas sujeito a ciclos de desempenho esportivo e pesados investimentos. Do outro, uma operação de jogos e sorteios com fluxo de caixa constante e previsível. A tese é clara: enquanto o futebol constrói a marca, os cassinos pagam as contas.

A matemática dos negócios

Os dados financeiros da Ollamani são inequívocos. Em 2024, a divisão de Jogos e Sorteios registrou uma margem operacional de 24,5%, superando os 21,4% do segmento de futebol. A discrepância se acentuou no ano seguinte, quando a PlayCity gerou um lucro operacional de 632,3 milhões de pesos, enquanto o resultado da divisão de futebol despencou para apenas 43,8 milhões de pesos.

A resiliência dos cassinos se apoia em um modelo de negócio robusto, com 17 unidades físicas, mais de 200 mil clientes em programas de fidelidade e uma plataforma digital em expansão. Já o futebol enfrenta custos operacionais elevados e a necessidade de investimentos extraordinários, como a atual reforma do Estádio Azteca (rebatizado como Estádio Banorte) para a Copa do Mundo.

O estádio como aposta de longo prazo

O investimento no estádio, aliás, pressionou ainda mais os resultados recentes. No primeiro semestre de 2026, a divisão de futebol reportou uma perda líquida de 545,1 milhões de pesos, majoritariamente em função dos custos relacionados ao mundial. Trata-se de uma aposta de longo prazo, que visa modernizar o ativo e destravar novas fontes de receita com eventos e experiências aprimoradas para os torcedores.

Essa dinâmica ilustra um dilema comum em grandes conglomerados de entretenimento e mídia. Ativos de grande apelo popular e estratégico frequentemente demandam capital intensivo e oferecem retornos mais cíclicos. A solidez de uma operação menos glamorosa, como a dos cassinos, torna-se fundamental para financiar essas apostas de maior risco e visibilidade.

Para a Ollamani, a estrutura parece pragmática: o fluxo de caixa dos jogos garante a saúde financeira do grupo e permite bancar a paixão e o prestígio do futebol. O desafio será equilibrar essa balança no futuro, especialmente quando os frutos do investimento bilionário no estádio começarem — ou não — a ser colhidos.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Expansión MX