A marca de design dinamarquesa OMHU adotou uma tática inusitada para combater a proliferação de cópias de seus produtos: lançou sua própria imitação. A empresa criou uma versão mais barata de seu popular sofá-cama Teddy, batizada com o nome propositalmente errado de "Tedy", e a vendeu em sites conhecidos pela comercialização de réplicas, como Temu e Etsy.
A iniciativa, segundo reportagem da publicação de design Dezeen, é uma resposta direta à "cultura dupe" — a busca por versões mais acessíveis de produtos de desejo. Em vez de travar uma batalha jurídica, a OMHU decidiu usar as armas do adversário para expor o problema e, ao mesmo tempo, reforçar o valor de seu design original. A estratégia é subversiva: encontrar o consumidor no exato local onde ele busca a cópia.
Guerra de guerrilha no design
A pesquisa de mercado da OMHU revelou que sua maior concorrência não vinha de outras marcas de design, mas de uma rede difusa de vendedores online que capitalizam sobre a viralização de produtos. O sofá "Tedy" não era uma versão de qualidade inferior; foi fabricado com os mesmos materiais do original de US$ 1.995, mas vendido por US$ 799,99 — o preço médio das cópias.
A cor, um "laranja-dupe" vibrante, e a venda em sites como o Temu completaram a encenação. A edição limitada de 50 unidades esgotou em 10 minutos, validando a tática como uma poderosa ferramenta de marketing e comunicação, projetada para gerar mais conversa do que receita direta.
O paradoxo da autenticidade
A iniciativa da OMHU expõe um paradoxo da era digital: a viralização que impulsiona uma marca também alimenta sua cópia. Ao lançar uma "dupe oficial", a empresa tenta controlar a narrativa e educar o consumidor, especialmente a Geração Z, sobre o valor por trás do preço e do processo criativo.
A questão que fica é se a tática é uma solução escalável ou um brilhante golpe de relações públicas. Enquanto marcas como a Emeco recorrem a processos judiciais, como o que moveu contra a Zara Home por supostamente copiar uma de suas cadeiras, a OMHU aposta na subversão criativa, convidando outras empresas a "se juntarem à conversa".
O movimento da OMHU levanta uma questão para o setor: a melhor defesa é um ataque controlado? Ao se apropriar da linguagem de seus imitadores, a marca forçou uma reflexão sobre autenticidade num mundo de alternativas baratas. O debate sobre a melhor forma de proteger a propriedade intelectual no design acaba de ganhar um novo e provocador capítulo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen





