O openEuler, um projeto de Linux empresarial com raízes na Huawei, está emergindo como uma força significativa no cenário de sistemas operacionais de código aberto, com ambições que agora se estendem para o mercado de desktops. Originado do EulerOS, uma versão do Linux da Huawei que obteve certificação UNIX™, o openEuler é agora gerido pela OpenAtom Foundation. Esta fundação, co-fundada em 2020 pela Huawei em parceria com gigantes chinesas como Alibaba, Baidu e Tencent, representa um esforço coordenado para impulsionar a inovação e a independência tecnológica na China.
Um Legado de Certificação e Adaptação
A trajetória do openEuler está intrinsecamente ligada à evolução do cenário de Linux na China e às dinâmicas geopolíticas globais. O projeto compartilha um passado com o K/UX da Inspur, outra distribuição que também alcançou a certificação UNIX™. Ambas as distribuições eram originalmente baseadas no CentOS Linux. A decisão do CentOS Project de mudar seu foco do CentOS Linux para o CentOS Stream em dezembro de 2020 criou um vácuo e uma oportunidade. Em resposta às restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos à Huawei em maio de 2019, e diante da mudança no ecossistema CentOS, as empresas chinesas se uniram sob a OpenAtom para desenvolver e aprimorar suas próprias soluções.
Inovação em IA e Contêineres
O openEuler não se limita a ser um substituto para distribuições ocidentais. A comunidade do projeto tem desenvolvido um ecossistema próprio de ferramentas e subsistemas. Um exemplo notável é o Intelligence BooM, um conjunto de ferramentas voltado para o desenvolvimento, implantação e execução de modelos de linguagem de grande porte (LLMs). Além disso, a migração de sistemas CentOS Linux para openEuler é facilitada pela ferramenta x2openEuler. No campo da virtualização, o openEuler suporta tecnologias consolidadas como Kubernetes, Docker e Podman, mas também introduz seu próprio motor de contêineres, o iSula.
Uma Visão para o Desktop Corporativo
A versão "DevStation" do openEuler, voltada para desenvolvedores, foi testada em um ambiente virtualizado. A instalação, que pode ser feita em chinês simplificado ou inglês, oferece uma experiência que, embora ainda com elementos em chinês, é navegável. Utilizando o ambiente GNOME 49 com extensões pré-instaladas para uma interface mais familiar, a distribuição demonstra o esforço em adaptar a experiência do usuário para o mercado corporativo. Outras interfaces gráficas como Deepin Desktop Environment, UKUI, MATE e Xfce também são oferecidas, atendendo a diversas preferências.
A estratégia do openEuler reflete um movimento mais amplo na China em direção à autossuficiência tecnológica, impulsionado por preocupações com soberania digital e acesso a tecnologias essenciais. Enquanto projetos como Rocky Linux e AlmaLinux nos EUA buscam manter a compatibilidade com o Red Hat Enterprise Linux (RHEL) após as mudanças no CentOS, os desenvolvedores chineses optaram por um caminho de desenvolvimento de ferramentas e subsistemas próprios. Essa abordagem visa não apenas a substituição de sistemas estrangeiros, mas a construção de um ecossistema robusto e independente, capaz de suportar as crescentes demandas por inteligência artificial e computação em nuvem.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Register





