A startup Orbital, sediada em Los Angeles, anunciou a escolha da alemã Reflex Aerospace como parceira exclusiva para a plataforma de seu primeiro satélite, o Orbital-1. O objetivo é ambicioso: criar uma constelação de data centers em órbita que pode chegar a 100.000 unidades, com o primeiro lançamento previsto para 2028. A parceria transatlântica é um movimento estratégico para acelerar o desenvolvimento. A Reflex fornecerá a plataforma testada em voo do satélite — o "chassi" e a inteligência de navegação —, liberando a equipe da Orbital para se concentrar no que é seu core: a carga útil de computação.
A iniciativa da Orbital se insere em uma tese que ganha tração no setor: a de que a demanda por capacidade computacional, especialmente para IA, está esgotando os recursos de energia e espaço em terra. "O espaço é o único lugar onde podemos escalar a computação", afirmou o CEO da Orbital, Euwyn Poon, em entrevista ao site Payload. A parceria com uma empresa alemã, a primeira cliente americana da Reflex, sublinha a natureza cada vez mais global da nova economia espacial, em um campo onde a colaboração internacional pode ser um diferencial competitivo.
A corrida pela computação orbital
A proposta da Orbital é equipar cada satélite com um conjunto de GPUs capaz de operar um rack completo da Nvidia, como o Vera Rubin, exigindo uma potência de cerca de 250 kW. Este número não é casual: ele espelha a capacidade de projetos concorrentes, como o AI1 da SpaceX, indicando uma convergência em torno do que será o padrão da indústria nos próximos anos. A grande vantagem do espaço, além da escalabilidade, é o resfriamento: o vácuo espacial serve como um dissipador de calor perfeito e gratuito, um dos maiores gargalos de data centers terrestres.
O campo, no entanto, já está se tornando concorrido e bem capitalizado. A Starcloud levantou US$ 250 milhões em uma avaliação de US$ 2,3 bilhões, enquanto gigantes como SpaceX e Blue Origin já iniciaram os trâmites regulatórios para lançar suas próprias constelações. O jogo, segundo Poon, será vencido com uma frota de satélites relativamente pequenos e numerosos, e não com poucas e grandes estruturas.
Estratégia de custo e escala
O diferencial da Orbital, segundo sua liderança, está no design e no custo. A estratégia é aplicar um modelo de produção em massa, similar ao da indústria automotiva, em um setor historicamente artesanal. Para isso, a empresa planeja usar componentes comerciais, como células solares de silício em vez de painéis de grau espacial, muito mais caros. É uma aposta clássica de disrupção por custo, tentando tornar a computação orbital economicamente viável em larga escala.
Como para quase todos os novos projetos espaciais, a viabilidade econômica depende da queda drástica no custo de lançamento. A Orbital, assim como seus concorrentes, aposta no sucesso da Starship da SpaceX para levar suas centenas de satélites à órbita de forma acessível. Embora o CEO afirme que o design não é dependente exclusivamente da Starship, a realidade é que o modelo de negócios de toda uma geração de startups espaciais está atrelado à promessa da nova plataforma da SpaceX.
A parceria com a Reflex Aerospace é um passo concreto e necessário, mas a jornada da Orbital apenas começou. A empresa precisa provar que sua abordagem de baixo custo e produção em massa pode não apenas funcionar tecnicamente, mas também garantir os cobiçados e escassos espaços nos foguetes de lançamento. O sucesso dependerá tanto da sua engenharia quanto da cadência da infraestrutura que a levará ao espaço.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Payload Space





