O ouro encerrou a sessão desta quinta-feira (18) com uma queda expressiva de 3,19%, cotado a US$ 4.245,9 por onça-troy na Comex, em Nova York. O movimento reflete uma mudança acentuada no sentimento do mercado global, impulsionada por sinais de uma política monetária mais rigorosa adotada pelo Federal Reserve.
A desvalorização do metal precioso ocorre em um momento de fortalecimento global do dólar, que atingiu a máxima do dia com o índice DXY subindo 0,74%, aos 100,825 pontos. A leitura é que o compromisso do Fed com a estabilização de preços tornou o ouro comparativamente mais caro para investidores que operam em outras moedas, exacerbando a pressão vendedora.
A nova postura do Fed e o efeito Warsh
A recente guinada na comunicação do Federal Reserve sob a liderança de Kevin Warsh tem sido o principal catalisador para a volatilidade nos mercados de commodities. A sinalização de um viés mais hawkish — termo utilizado para descrever uma postura de combate agressivo à inflação via juros altos — alterou as expectativas de curto prazo dos investidores.
Segundo o banco canadense TD Securities, essa postura mais dura do banco central americano tem ofuscado fatores que tradicionalmente ofereceriam suporte ao ouro. Mesmo com o alívio nas tensões geopolíticas no Oriente Médio, o mercado parece priorizar o ambiente macroeconômico doméstico dos Estados Unidos, onde a trajetória dos juros dita o ritmo dos ativos de refúgio.
Geopolítica versus fundamentos macro
O cenário de desescalada no Oriente Médio, consolidado com o memorando entre os governos de Donald Trump e o Irã, trouxe um alívio temporário para o mercado, mas não foi suficiente para sustentar os preços dos metais. O vice-presidente JD Vance reiterou que o prazo de 60 dias para a normalização da navegação no Estreito de Ormuz começa a contar a partir de hoje, mantendo o foco global na estabilidade da rota.
Contudo, a análise do Saxo Bank aponta que os investidores enfrentam um dilema complexo. Há uma dificuldade clara em conciliar os ventos contrários da política monetária de curto prazo com o suporte estrutural que o ouro costuma receber em períodos de incerteza, forçando uma reavaliação constante das posições em portfólios globais.
Implicações para o mercado e inflação
As tensões entre o preço do petróleo e as expectativas de inflação para 2026 adicionam uma camada extra de incerteza. Se a queda nos preços do petróleo persistir, analistas sugerem que o Fed poderá ser forçado a revisar suas projeções de inflação para baixo, o que alteraria a dinâmica atual de alta de juros e, consequentemente, o valor do dólar.
Para o investidor, o movimento desta quinta-feira serve como um lembrete da correlação inversa entre a força da moeda americana e a atratividade do ouro. O mercado de commodities, que vinha sendo impulsionado pela cautela geopolítica, agora precisa recalibrar suas expectativas diante de um Fed que parece disposto a manter os juros em patamares elevados por mais tempo.
O horizonte de incertezas
O que permanece em aberto é a sustentabilidade dessa trajetória de queda. A eficácia do acordo entre EUA e Irã após o período de 60 dias e a reação dos dados de inflação aos juros atuais serão determinantes para a direção dos metais preciosos.
Os próximos meses devem ser marcados por uma volatilidade contínua, à medida que o mercado tenta identificar se a queda do ouro é uma correção técnica ou o início de uma mudança mais profunda na alocação de ativos globais.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





