Para decifrar o impacto da inteligência artificial, um grupo de CEOs recorreu a um conselho pouco usual: seus próprios filhos da Geração Z. Em um jantar recente em Nova York, co-organizado por Michael Hansen, CEO da Cengage, empresa de tecnologia educacional de US$ 1,6 bilhão, líderes de diversas indústrias se sentaram à mesa com a nova geração para uma conversa sobre carreira, tecnologia e legado.

A reunião, realizada sob a regra de Chatham House — que permite o uso das informações sem identificar os autores —, buscou humanizar um debate frequentemente dominado por jargão corporativo. Segundo reportagem da Fortune, a iniciativa revelou um claro contraste de perspectivas. Enquanto executivos formulam estratégias de IA em salas de reunião, seus filhos, que estão no início de suas carreiras, enxergam a tecnologia de um ângulo fundamentalmente distinto.

A calma de quem já nasceu digital

A principal conclusão do encontro, segundo Hansen, foi a postura “ponderada e menos alarmista” dos jovens em relação à IA, em comparação com a ansiedade da geração mais velha. Para a Geração Z, que cresceu imersa em instabilidade geopolítica, mudanças climáticas e na onipresença das redes sociais, a inteligência artificial não é um evento apocalíptico, mas apenas mais uma ferramenta a ser dominada. A familiaridade gera pragmatismo, não pânico.

Essa visão utilitária contrasta com a preocupação dos CEOs, que encaram a IA como uma força disruptiva que ameaça modelos de negócio estabelecidos e exige reestruturações complexas. A conversa se tornou “mais humana e real”, segundo o anfitrião, justamente por abandonar as abstrações estratégicas e focar nas implicações pessoais para uma geração que está construindo sua vida profissional neste novo cenário.

O diálogo serviu como um lembrete de que, para além da implementação tecnológica, o maior desafio da liderança atual é geracional. Traduzir a estratégia de IA para quem vê o mundo de forma nativamente digital exige mais do que um plano de negócios; exige uma ponte de comunicação. O exercício sugere que as respostas mais honestas sobre o futuro do trabalho podem não estar em relatórios de consultoria, mas em uma conversa franca na mesa de jantar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune