Apenas dois em cada dez espanhóis acreditam que os impostos em seu país são cobrados com justiça. O dado, parte de uma ampla pesquisa do Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS) sobre política fiscal, revela uma desconfiança massiva na estrutura tributária do país. Segundo a reportagem da Forbes España, 77,2% da população sente que o sistema não funciona sob o princípio de que “paga mais quem tem mais”, minando a base do contrato social.
O quadro que emerge da pesquisa é o de uma profunda crise de legitimidade. Para 54,4% dos cidadãos, a sociedade se beneficia “pouco ou nada” do que é pago em impostos, um sentimento que vai além da simples insatisfação com a carga tributária e toca na própria percepção de retorno e eficiência do Estado.
A conta que não fecha
A desconfiança não se limita à arrecadação; ela se estende à percepção de impunidade e ao destino dos recursos. Quase 90% dos entrevistados acreditam que há “muito ou bastante” fraude fiscal na Espanha, e a maioria (55,3%) avalia que a administração pública faz “poucos ou muito poucos” esforços para combatê-la. O resultado é um ciclo vicioso: a percepção de que o sistema é falho e que sonegadores não são punidos desincentiva quem paga corretamente.
Essa desconexão é agravada pelo descompasso entre os gastos do governo e as prioridades da população. Enquanto 89% dos espanhóis afirmam que se dedica muito pouco recurso público à moradia e 79% dizem o mesmo sobre a saúde, uma parcela significativa (23,1%) acredita que se gasta demais com Defesa. A leitura é clara: para o cidadão comum, o dinheiro arrecadado não apenas é coletado de forma injusta, mas também alocado de maneira equivocada.
O desafio exposto pelos dados do CIS transcende a Espanha. Ele reflete uma tensão presente em muitas democracias ocidentais, onde a legitimidade do Estado depende de sua capacidade de demonstrar não apenas a necessidade dos impostos, mas a justiça em sua cobrança e a eficiência em seu uso. Quando essa confiança se rompe, o que está em jogo é a própria coesão social.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España



