A operação de refino da Pemex, a gigante estatal de petróleo do México, tornou-se um ralo financeiro em um setor onde seus pares internacionais, como ExxonMobil e Saudi Aramco, geram lucros consistentes. Enquanto as grandes petrolíferas globais registram margens robustas, a empresa mexicana opera no vermelho, revelando uma profunda disfunção estratégica e operacional.
Segundo uma reportagem do portal mexicano Expansión, a diferença é gritante. Em 2024, enquanto o mercado oferecia uma margem de refino — conhecida como crack spread — de cerca de US$ 16 por barril, a Pemex registrou uma perda de US$ 66,22 por barril. No mesmo período, a Saudi Aramco lucrou US$ 23,47 e a ExxonMobil, US$ 21,46 por barril. A leitura é clara: o problema da Pemex não é cíclico, mas estrutural.
A lógica invertida do refino
Na indústria de petróleo, o crack spread é a bússola da rentabilidade. Ele mede a diferença entre o custo do barril de petróleo cru e o valor de mercado dos produtos derivados, como gasolina e diesel. Uma margem positiva significa lucro; negativa, prejuízo. Para as grandes petrolíferas, maximizar esse indicador é o objetivo central do negócio de refino. Elas ajustam a produção, otimizam a matéria-prima e focam nos produtos de maior valor agregado.
No caso da Pemex, essa lógica parece operar ao contrário. Mesmo em 2022, um ano de margens extraordinariamente altas para o setor em nível global, a estatal não conseguiu registrar lucro em suas refinarias. O fato sugere que a companhia está presa em um modelo onde o custo de processar o petróleo é sistematicamente maior que o valor gerado pela venda dos combustíveis, independentemente das condições de mercado.
Petróleo pesado, resultado pesado
Dois fatores principais explicam as perdas da Pemex. O primeiro é a matéria-prima: suas refinarias processam majoritariamente petróleo pesado, para o qual muitas de suas plantas não foram projetadas. Isso resulta em menor eficiência e custos operacionais mais altos. É um desalinhamento fundamental entre ativo e insumo.
O segundo problema é o produto final. As refinarias mexicanas geram um volume excessivo de combustóleo, um subproduto de baixo valor e demanda decrescente. Em maio, esse resíduo representou mais de 13% da produção total. Como explicou um especialista à Expansión, o resultado é que "o custo de vendas sempre é superior ao volume das vendas". Aumentar o processamento, nesse cenário, não significa aumentar o lucro, mas sim aprofundar as perdas.
O dilema da Pemex ilustra uma lição crucial da indústria de commodities: operar por operar, sem foco na rentabilidade, é uma receita para a destruição de valor. Enquanto os concorrentes tratam o refino como um centro de lucro, a estatal mexicana parece presa a uma dinâmica de centro de custo — um custo que se mostra cada vez mais insustentável.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Expansión MX





