A Petróleos Mexicanos (Pemex) confirmou um novo adiamento no cronograma de conclusão de suas unidades coquizadoras, peças centrais na estratégia de modernização do Sistema Nacional de Refinamento. Segundo reportagem da Expansión MX, a unidade de Tula, anteriormente prevista para operar plenamente no início de 2025, agora tem entrega projetada para o final de 2026. Já a planta de Salina Cruz teve seu prazo estendido para o segundo semestre de 2027.

Durante a chamada de resultados do primeiro trimestre de 2026, Marco Antonio González, subdiretor de Planejamento da estatal, reconheceu que o avanço físico das obras segue abaixo do esperado. O cenário marca um distanciamento significativo da narrativa de autosuficiência energética que norteou a política industrial do governo anterior, evidenciando os desafios estruturais enfrentados pela companhia para processar crudo pesado.

O papel estratégico das coquizadoras

As coquizadoras são instalações de alta complexidade técnica desenhadas para realizar o craqueamento térmico de resíduos pesados. Ao submeter o combustóleo a temperaturas superiores a 482 graus centígrados, a tecnologia permite converter subprodutos de baixo valor em combustíveis refinados, como gasolina e diésel. O objetivo central da Pemex sempre foi reduzir a dependência de importações, transformando o perfil do seu portfólio de saída.

Historicamente, o processamento de petróleo pesado com alto teor de enxofre nas refinarias mexicanas resultava em uma produção excessiva de combustóleo residual. A implementação destas unidades visa elevar a rentabilidade do barril, alinhando a operação das refinarias às demandas globais por produtos mais leves e menos poluentes, além de mitigar os impactos ambientais associados ao descarte dos resíduos pesados da refinação.

Mecanismos de impacto operacional

O atraso nas obras não é apenas um contratempo de engenharia, mas um entrave financeiro para a estatal. Especialistas apontam que a operação plena dessas plantas poderia elevar a produção nacional entre 70 mil e 110 mil barris diários de combustíveis nobres. A capacidade de processamento profundo é, portanto, o principal mecanismo para que a Pemex consiga amortecer a volatilidade dos preços internacionais.

Ao manter o cronograma de 2027 para Salina Cruz, a empresa prolonga sua exposição às flutuações do mercado externo. Sem a capacidade de refino interno otimizada, a Pemex continua sendo um importador líquido de derivados, o que pressiona as margens da companhia e limita sua autonomia diante de tensões geopolíticas que afetam os preços dos combustíveis no mercado global.

Implicações para o setor energético

Para o ecossistema de energia, a demora sinaliza um gargalo na execução de projetos de infraestrutura de grande escala. Reguladores e investidores observam com cautela o avanço físico das obras, que em Salina Cruz atingiu 75,1% ao final de 2025. A incapacidade de cumprir prazos recorrentes levanta questionamentos sobre a eficiência na alocação de capital da petrolífera.

No longo prazo, o sucesso dessas plantas é determinante para a viabilidade econômica do sistema de refino mexicano. A transição para uma operação de maior valor agregado exige não apenas capital, mas uma precisão técnica que a Pemex ainda luta para demonstrar de forma consistente em seus projetos prioritários de engenharia industrial.

O futuro da autosuficiência

O horizonte de 2027 coloca a meta de autosuficiência em um patamar de incerteza operacional. Resta observar como a gestão da Pemex lidará com os custos de manutenção desses projetos paralisados e qual será o impacto real nas contas públicas nos próximos trimestres. A trajetória de conclusão destas obras continuará sendo o termômetro para medir a eficácia da modernização do refino no México.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Expansión MX