O governo do Peru projeta que os investimentos no estratégico setor de mineração devem superar a marca de US$ 7 bilhões neste ano. A estimativa, divulgada pelo ministro de Energia e Minas, Guillermo Shinno, representa um otimismo calculado e um salto considerável em relação aos US$ 6,28 bilhões registrados em 2025, segundo reportagem da Forbes España.

O movimento não é apenas um reflexo da recuperação econômica, mas uma aposta deliberada no papel do país na nova economia global. A tese central do governo peruano é que a transição energética — movida a veículos elétricos e fontes renováveis — dependerá crucialmente de minerais como o cobre, do qual o Peru é um dos maiores produtores mundiais. O país andino está se posicionando para ser um fornecedor indispensável nessa mudança de paradigma.

O motor de cobre da transição

A lógica por trás da projeção otimista é clara. Como destacou o ministro Shinno, um carro elétrico consome até cinco vezes mais cobre que um veículo a combustão, e a infraestrutura de energia eólica e solar é igualmente intensiva no metal. Com investimentos de US$ 4,1 bilhões já realizados entre janeiro e julho — um avanço de 45% sobre o mesmo período do ano anterior —, o ritmo parece confirmar a projeção.

O setor de mineração já é o pilar da economia peruana, respondendo por 9,1% do PIB e pela maior parte das exportações. A aposta, agora, é qualificar essa dependência, alinhando a extração mineral com as demandas de uma economia de baixo carbono. A carteira de projetos futuros, que soma quase US$ 64 bilhões, indica que a estratégia é de longo prazo, buscando consolidar o Peru não apenas como um extrator, mas como um ator relevante na geopolítica dos minerais críticos.

A dimensão regional

Ao acelerar seus investimentos, o Peru reforça sua posição de potência mineradora na América Latina, competindo diretamente com o vizinho Chile pela liderança na produção de cobre. Para o Brasil, que também possui vastos recursos minerais, o movimento peruano serve como um espelho e um benchmark sobre como articular uma política industrial em torno de recursos naturais estratégicos para a nova economia.

O desafio peruano, e de toda a região, será conciliar a ambição econômica com as crescentes demandas por sustentabilidade ambiental e social, um fator de tensão constante na indústria de mineração. A capacidade de atrair e executar bilhões em investimentos dependerá não apenas do preço das commodities, mas da habilidade de garantir uma licença social para operar.

A aposta está na mesa. O governo peruano sinaliza que o caminho para o desenvolvimento passa por suas vastas reservas minerais, agora reembaladas como o combustível para um futuro mais verde. Resta saber como o país irá navegar os desafios inerentes a essa jornada, equilibrando o potencial econômico com as complexidades socioambientais da extração em larga escala.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España