Para o profissional que consegue poupar uma quantia fixa todo mês, a dúvida é recorrente: onde alocar os recursos para a aposentadoria? A resposta não é universal, mas uma hierarquia de prioridades pode trazer clareza. Um guia recente da Morningstar, publicado pela Fast Company, detalha a lógica para o mercado americano. Embora os produtos sejam diferentes — por lá, falam em 401(k), IRA e HSA —, os princípios são perfeitamente adaptáveis à realidade brasileira.

A tese central é que nem todo real investido para o futuro tem o mesmo peso. A ordem dos aportes importa, e muito. A estratégia consiste em esgotar as opções mais vantajosas antes de passar para as seguintes, maximizando benefícios fiscais e contribuições de terceiros.

A lógica da prioridade

O primeiro degrau, e o mais inegociável, é aproveitar o “dinheiro grátis”. No Brasil, isso se traduz nos planos de previdência privada oferecidos por empresas que fazem uma contrapartida aos aportes do funcionário. Se a companhia dobra a sua contribuição até um certo limite, ignorar essa oportunidade é o equivalente a recusar um aumento de salário. Nenhuma rentabilidade de mercado bate esse retorno imediato de 100%.

Esgotada a contrapartida, o passo seguinte são os planos de previdência aberta individuais, como PGBL e VGBL. A escolha depende do seu modelo de declaração de Imposto de Renda. Para quem faz a declaração completa, o PGBL permite deduzir os aportes da base de cálculo do IR, até o limite de 12% da renda bruta anual. Para quem usa o modelo simplificado ou já atingiu o teto do PGBL, o VGBL é o caminho, pois a tributação incide apenas sobre os rendimentos no momento do resgate, e não sobre o valor total.

Saúde e diversificação no radar

O guia americano dá destaque aos Health Savings Accounts (HSAs), contas com triplo benefício fiscal para despesas de saúde, um veículo que não possui equivalente direto no Brasil. A lição, no entanto, é estratégica: a necessidade de planejar os custos com saúde na aposentadoria. O investidor brasileiro pode criar uma “poupança para saúde” dentro de um VGBL ou mesmo em uma conta de investimentos tradicional, mas a disciplina de separar esses recursos é fundamental.

Após esgotar as opções com vantagens fiscais (contrapartida da empresa e limite do PGBL), o investidor deve considerar completar os aportes no plano da empresa ou no VGBL, para então migrar para contas de investimento em corretoras. Essas contas oferecem liquidez e diversificação, permitindo acesso ao dinheiro antes da aposentadoria e uma estrutura de tributação sobre ganhos de capital que pode ser vantajosa. A lógica final é criar um portfólio com diferentes regimes tributários e níveis de liquidez, preparando-se para múltiplos cenários na aposentadoria.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company