Seis pinturas a óleo criadas por Edward Hopper na adolescência, antes de frequentar a escola de arte, foram identificadas como cópias de trabalhos de outros artistas, e não composições originais. A descoberta faz parte de uma nova biografia sobre o artista escrita por Louis Shadwick.
As obras foram encontradas no sótão da casa de infância de Hopper, em Nyack, Nova York, no final da década de 1960, após a morte do artista. O Reverendo Arthayer R. Sanborn, um ministro batista que morava perto da família Hopper e cuidava de sua irmã e esposa, adquiriu um acervo de memorabilia de Hopper, incluindo pinturas e desenhos iniciais. Segundo Shadwick, Sanborn deu a algumas dessas pinturas títulos enganosos, assumindo que Hopper havia concebido as composições de forma independente, inspiradas pelo ambiente de Nyack.
A revelação e o acervo
Um dos exemplos é a obra intitulada "Old Ice Pond at Nyack" por Sanborn, que por décadas foi interpretada como uma representação do lago de patinação perto de onde Hopper cresceu. Outra, "Rowboat on Hudson", também foi associada ao entorno do artista. Ambas, no entanto, são cópias que Hopper realizou a partir de imagens instrucionais reproduzidas em placas coloridas na publicação "Art Interchange". "Old Ice Pond at Nyack" é uma cópia de "A Winter Sunset" de Bruce Crane, publicada em dezembro de 1890, e "Rowboat on Hudson" é uma cópia de uma aquarela intitulada "Lake View" de um artista não identificado, de fevereiro de 1891.
Outras pinturas a óleo iniciais mencionadas por Shadwick incluem "Country Road" (copiada de "A Landscape Study in Color" de John Francis Murphy), "Ships" (copiada de "Marine View" de Edward Moran) e "Clipper Ship Being Towed by Tug" (copiada de "Stormy Voyage" de Fred Pansing). Hopper pintou todas essas obras no final da década de 1890, quando tinha cerca de 15 ou 16 anos, e a maioria é assinada com seu nome ou iniciais.
O contexto da adolescência artística
Shadwick não acredita que Hopper estivesse tentando enganar ninguém sobre a natureza dessas pinturas iniciais. Ao contrário, "as assinaturas sugerem o orgulho juvenil do artista em suas primeiras conquistas em óleo, que nunca foram destinadas a serem vistas publicamente". A descoberta de Shadwick atua mais como uma revisão da forma como a produção artística inicial de Hopper é percebida. Seu talento para a pintura não surgiu subitamente durante a adolescência sem instrução, nem ele foi exposto pela primeira vez aos movimentos de arte americanos na escola de arte.
Em vez disso, as cópias demonstram um processo de aprendizado ativo, onde o jovem Hopper utilizava materiais instrucionais para aprimorar suas habilidades técnicas. A prática de copiar mestres ou obras de referência era comum em escolas de arte e entre artistas em formação, servindo como um método fundamental para entender composição, técnica e estilo. A revelação sugere que Hopper, desde cedo, demonstrava um interesse em dominar as ferramentas da pintura antes de desenvolver sua voz artística única.
Implicações e Novas Questões
A percepção de Hopper como um gênio autodidata, cujas visões surgiam espontaneamente, é matizada por essa nova informação. A descoberta não diminui seu talento, mas o contextualiza dentro de um percurso de aprendizado mais convencional. A história também ressalta a importância da pesquisa rigorosa na construção da história da arte. A ação de Sanborn, embora talvez bem-intencionada, acabou por criar uma narrativa equivocada sobre a origem das obras, destacando como a curadoria e a verificação factual são cruciais para apresentar o legado dos artistas com precisão.
A pesquisa de Shadwick abre a porta para novas investigações sobre o período formativo de Hopper e pode levar a uma reavaliação mais ampla das obras de juventude de outros artistas. A história de Hopper serve como um lembrete da complexidade envolvida na atribuição de autoria e na construção de narrativas biográficas, mostrando que a busca por entender a gênese de um grande artista é um processo contínuo e cheio de nuances.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews





