O Dallas Museum of Art será o primeiro palco nos Estados Unidos para uma ambiciosa exposição de tesouros resgatados de Pompeia e cidades vizinhas. A partir de dezembro, mais de 160 artefatos do acervo do Museu Arqueológico Nacional de Nápoles, um dos mais importantes do mundo no tema, estarão em exibição no Texas, marcando o início de um tour pelo país.

Segundo reportagem da publicação de arte Hyperallergic, a mostra não se concentra apenas na tragédia da erupção do Vesúvio em 79 d.C., mas na vibrante vida que foi subitamente interrompida e, paradoxalmente, preservada pelas cinzas. A tese curatorial é usar os objetos para reconstruir o dia a dia de uma sociedade complexa, cujos ecos ainda ressoam.

A vida antes da cinza

A exposição, intitulada "Journey Through Pompeii", organiza-se em galerias temáticas que exploram política, esportes, domesticidade e rituais de jantar. O objetivo é ir além do fascínio arqueológico e mergulhar na sociologia dos objetos. Um mosaico em preto e branco de um esqueleto carregando jarros de vinho, por exemplo, servia como um memento mori em uma sala de jantar, um lembrete para os convidados aproveitarem a vida diante da inevitabilidade da morte.

Afrescos que retratam mitos romanos, como o de Hércules e a rainha Ônfale, revelam o imaginário cultural da elite, enquanto relevos de estuque de atletas nus, encontrados em um ninfeu, apontam para a centralidade do corpo e do lazer na vida romana. Cada peça é um fragmento que, quando reunido, compõe um retrato da normalidade que antecedeu o cataclismo.

O eco do cotidiano

O poder da mostra reside também nos itens mais mundanos, que criam uma conexão íntima com os habitantes de Pompeia. Um copo de prata, ou kantharos, ainda carrega o espectro de quem bebeu dele há dois milênios. Uma pintura de cobras entrelaçadas, parte de um santuário doméstico, evoca as preces e rituais diários de uma família.

É essa a linha que o diretor do museu, Brian Ferris, destaca: a percepção de que as correntes da vida daquela época não eram tão diferentes das nossas, marcadas pela mesma “fome de beleza, conexão e significado”. Apesar do foco na vida, a exposição se encerra com uma réplica de um dos famosos moldes de gesso de uma das vítimas, um contraponto sóbrio que devolve a dimensão da tragédia humana à história.

A turnê da exposição, que após Dallas seguirá para a Virgínia e o Tennessee, demonstra a força perene de Pompeia no imaginário contemporâneo. É um diálogo entre mundos, mediado por artefatos que sobreviveram para contar não apenas a história de sua destruição, mas, principalmente, a de sua vida.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Hyperallergic