O Porto de Las Palmas se prepara para uma transformação significativa com a licitação de um novo cais, o Reina Sofía Sur, um projeto orçado em 45,3 milhões de euros (sem IGIC) que promete expandir a capacidade de atracação e manuseio de cargas. A iniciativa, autorizada pelo Ministério de Transportes da Espanha, foca em uma profundidade de 20 metros junto ao frente de atracação, ideal para operações com grandes navios. Contudo, o cerne do projeto reside não apenas na estrutura visível, mas nos complexos desafios de engenharia que emergem sob a superfície do mar.
Desafios da Construção Submersa
A construção de infraestruturas portuárias em águas profundas é uma tarefa intrinsecamente complexa. Quanto maior a profundidade, mais exigente se torna a edificação de estruturas que alcancem a superfície, exigindo não apenas a superação da distância vertical, mas também a garantia de que o fundo marinho possua as condições ideais para suportar o peso colossal da obra. No caso do Reina Sofía Sur, a solução de engenharia prevê a criação de uma base artificial robusta, essencial para sustentar os elementos principais do novo cais. Este sistema, conhecido como muelles de gravedad (cais de gravidade), depende fundamentalmente do próprio peso para garantir estabilidade, precisando resistir a empuxos do terreno e às forças inerentes às operações portuárias.
O Método dos "Cajones" Flutuantes
Um dos aspectos mais fascinantes deste projeto é o método de construção dos grandes elementos de concreto armado que formarão o cais. Estes componentes, conhecidos como "cajones", são projetados para flutuar. Utilizando compartimentos internos que controlam o deslocamento de água e a presença de ar, eles se comportam de maneira similar a um navio, permitindo que sejam construídos em terra e, posteriormente, rebocados até o local de instalação. A descida controlada para o fundo do mar, conhecida como "fondeo", é realizada pela introdução gradual de água nos compartimentos, que age como lastro. Uma vez assentados sobre a cimentação preparada, as células são preenchidas com material granular, como areia ou cascalho, para maximizar o peso e a estabilidade, transformando a estrutura flutuante em uma parte permanente e sólida do porto.
Proteção e Integração Estrutural
Além da montagem dos cajones, a engenharia portuária deve endereçar outras questões críticas. A erosão causada pelas hélices dos navios, que pode comprometer a cimentação, é combatida com camadas de escollera. O projeto de Las Palmas adiciona uma camada extra de complexidade ao exigir a conexão do novo cais com o dique Reina Sofía existente. As condições da licitação permitem que os proponentes apresentem soluções inovadoras para essa junção, desde que a estabilidade da estrutura anterior não seja comprometida.
Ampliação da Capacidade Portuária
O objetivo final desta ambiciosa obra é a ampliação da área útil do porto, criando uma nova explanada dedicada principalmente à operação de mercadorias gerais. Este investimento reflete a contínua necessidade de modernização e expansão das infraestruturas portuárias para atender à crescente demanda do comércio marítimo internacional e otimizar as operações logísticas. A obra, ainda sem adjudicação, representa um passo importante na consolidação do Porto de Las Palmas como um hub estratégico.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Xataka




