O presidente indonésio, Prabowo Subianto, declarou que a Indonésia não se deixará "intimidar" pela proposta da MSCI de rebaixar o status de mercado do país do Sudeste Asiático para "standalone", equiparando-o a nações como Argentina, Nigéria e Ucrânia. Em um pronunciamento contundente ao seu gabinete, Prabowo afirmou que a nação "teme a ninguém e nunca recuará", citando "força, coragem e disposição para sacrifícios". A MSCI, provedora de índices globais, comunicou em 15 de outubro a consideração de tal medida, citando "suspeita contínua de comportamento de negociação coordenado e falta de evidências de aplicação significativa". Uma reclassificação para "standalone" significaria a exclusão da Indonésia de importantes índices globais e regionais, com potencial de fuga de bilhões de dólares em investimentos, dado que muitos fundos utilizam os índices da MSCI como base para suas alocações. A decisão final está prevista para o final de junho de 2027.
Pressão crescente e queda de popularidade
A ameaça de rebaixamento não é nova para a Indonésia, que já em janeiro de 2026 enfrentou a consideração de ser rebaixada para o status de "frontier", um degrau abaixo de sua classificação atual de "emergente". Na ocasião, a medida ameaçava retirar cerca de US$ 13 bilhões em fluxos de investimento passivo. A proposta atual, que colocaria o país abaixo de "frontier", provavelmente resultaria em saídas ainda maiores. O Índice Composto de Jacarta já reflete essa apreensão, com uma queda de mais de 10% desde o anúncio da proposta da MSCI e uma desvalorização de quase 40% no ano.
Essa turbulência de mercado se soma a outros desafios para Prabowo, que entra em seu terceiro ano de mandato. Sua taxa de aprovação caiu para 44,5%, segundo pesquisa da Saiful Mujani Research and Consulting, impulsionada pela insatisfação pública com a economia. Programas sociais emblemáticos, como o de alimentação gratuita, e a política de cooperativas rurais para distribuição de bens básicos também enfrentam ceticismo. Adicionalmente, os incêndios florestais que geram fumaça intensa na região e afetam a qualidade do ar em cidades como Singapura e Kuala Lumpur têm gerado críticas e ameaças de ações legais por parte de Singapura contra empresas responsáveis.
Acusações e desmentidos no cenário diplomático
A instabilidade do mercado indonésio escalou para um conflito diplomático. Muhammad Lutfi, ex-ministro do Comércio, acusou fundos estatais de Singapura, Temasek e GIC, de pressionarem a MSCI para provocar uma liquidação no mercado, permitindo que investidores estrangeiros adquirissem ativos estratégicos a preços baixos. Ambas as entidades negaram veementemente as acusações, com um executivo da Temasek classificando-as como "evidentemente falsas".
Em resposta a essas teorias conspiratórias, Jeffrey Hendrik, diretor-presidente da Bolsa de Valores da Indonésia (IDX), reafirmou a crença na independência dos provedores de índices globais. O episódio evidencia a delicada posição da Indonésia, que busca atrair e reter investimentos enquanto lida com pressões internas e externas, além de defender sua soberania e imagem no cenário internacional.
Implicações e o futuro dos mercados emergentes
A reação intransigente de Prabowo à MSCI, embora possa ressoar com o nacionalismo interno, carrega riscos significativos para a atração de capital estrangeiro. A percepção de instabilidade política e a possibilidade de intervenção estatal em mercados financeiros podem afastar investidores que buscam ambientes previsíveis e transparentes. Para outros mercados emergentes, a postura da Indonésia pode servir como um teste para a influência de provedores de índices e a capacidade de países em desenvolvimento de defenderem seus interesses em face de avaliações de mercado globais.
A falta de evidências claras de "comportamento de negociação coordenado" e a aplicação de regras por parte das autoridades indonésias são pontos cruciais que a MSCI avaliará. A decisão final em 2027 deixará um longo período de incerteza, durante o qual a Indonésia precisará demonstrar progressos tangíveis na governança de seus mercados para reverter a tendência negativa.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune




