Trabalhadores e empregadores nos Estados Unidos sentem o peso crescente dos prêmios de seguro saúde. A causa principal dessa "deluge" de custos, segundo reportagem do STAT, reside nos preços elevados e opacos praticados por toda a indústria de saúde americana.

As seguradoras de saúde não determinam seus prêmios em um vácuo. O fator mais significativo é o cuidado que os pacientes recebem. E o principal motor por trás do custo desse cuidado, conforme apurado pelo STAT, não é a frequência com que as pessoas buscam hospitais ou consultórios médicos, mas sim os preços descontrolados cobrados por cada segmento da indústria de saúde. Nesse cenário, trabalhadores e empresas frequentemente se veem impotentes para intervir.

Gerard Anderson, professor da Johns Hopkins University e estudioso de gastos e políticas de saúde há quatro décadas, descreve os altos preços americanos como algo tão óbvio, porém imperceptível, quanto o oxigênio que respiramos. Ele participou do desenho do sistema de pagamento hospitalar do Medicare nos anos 1980 e é coautor de artigos seminais publicados em 2003 e 2019, que já apontavam o culpado pelos números discrepantes dos gastos de saúde nos EUA: "São os preços, estúpido".

"Algumas coisas não mudam", afirmou Anderson ao STAT. A persistência desse problema, mesmo após décadas de estudo e tentativas de intervenção, sugere uma complexidade estrutural que vai além da simples frequência de uso dos serviços de saúde. A análise de Anderson e de outros especialistas indica que o foco deve ser deslocado da quantidade de serviços consumidos para o custo unitário desses serviços.

O impacto dessa dinâmica é sentido diretamente no bolso de quem emprega e de quem é empregado. Empresas que oferecem planos de saúde como benefício enfrentam um aumento constante em suas despesas operacionais, o que pode limitar investimentos, contratações ou mesmo a lucratividade. Para os trabalhadores, os prêmios mais altos significam uma parcela maior de seus salários comprometida com a saúde, reduzindo o poder de compra para outras necessidades e lazer.

A falta de transparência nos preços é outro fator crítico. Pacientes e empregadores muitas vezes não têm acesso claro a quanto custará um procedimento, um medicamento ou uma consulta antes de utilizá-los. Essa opacidade dificulta a comparação de preços entre diferentes provedores e a tomada de decisões informadas, permitindo que os preços elevados se perpetuem.

Em suma, a precificação descontrolada na indústria de saúde americana é um problema crônico que afeta diretamente a saúde financeira de empresas e trabalhadores. A persistência do fenômeno, como destacado por Anderson, exige um olhar contínuo sobre os mecanismos que permitem essa inflação de custos e a busca por soluções que tragam mais equidade e sustentabilidade ao sistema.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · STAT News (Biotech)