A gestora de private equity espanhola Nazca Capital adquiriu uma participação majoritária na Madrid Artes Digitais (MAD), uma produtora de experiências culturais imersivas. O valor da transação não foi divulgado. A aquisição marca o quarto investimento da Nazca através de sua estratégia Nazca Opportunities, focada em empresas de menor porte com alto potencial de crescimento.

O movimento é um sinal claro do crescente interesse do capital financeiro na chamada “economia da experiência”. Mais do que um investimento em uma empresa de entretenimento, a tese aqui é sobre a intersecção entre cultura, tecnologia e um público disposto a pagar por eventos memoráveis. A Nazca aposta que o modelo de negócio da MAD, que combina arte e tecnologia de ponta, é escalável e tem apelo internacional.

A tese por trás da tela

Fundada em 2021, a Madrid Artes Digitais se especializou na criação de exposições de grande escala que utilizam projeção mapeada em 360 graus, realidade virtual e aumentada, e outras tecnologias interativas. A estrutura do acordo sugere uma parceria para o crescimento, não uma reestruturação: os acionistas minoritários Stardust International e Inmersivas Digitales permanecem na sociedade, e a equipe de gestão atual continuará à frente do negócio.

Segundo o comunicado, o objetivo da Nazca é apoiar a MAD para “acelerar o desenvolvimento de novas produções próprias” e expandir sua rede de licenciamento internacional. Trata-se de um playbook clássico de private equity: injetar capital para escalar um modelo validado, focando na criação de propriedade intelectual que pode ser licenciada globalmente, gerando receitas recorrentes e margens mais altas.

Capital para a cultura pop

O apetite por entretenimento imersivo não é um fenômeno exclusivamente espanhol. Experiências similares, como as exposições sobre Van Gogh ou Frida Kahlo que rodaram o mundo, incluindo o Brasil, demonstram a força comercial deste formato. A Nazca Capital está investindo em um mercado que une o mundo físico — com a necessidade de espaços e visitação — à vanguarda digital.

Para a gestora, o negócio representa uma diversificação de portfólio em um ativo que, embora tecnológico, é menos volátil que o puro software. O desafio será manter a relevância cultural e a qualidade artística enquanto se busca a escala e a eficiência operacional que um fundo de private equity exige. O mercado observará se o modelo de exposições imersivas pode se consolidar como uma classe de ativos rentável e previsível.

O sucesso da parceria dependerá da capacidade de transformar sucessos pontuais em uma plataforma de produção e distribuição global, um desafio que exige tanto sensibilidade criativa quanto disciplina financeira.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España