O neobanco britânico Revolut atingiu a marca de sete milhões de clientes na Espanha, consolidando o país como um de seus mercados prioritários na Europa. O número, parte de uma base global que já soma 80 milhões de usuários, sinaliza uma nova fase para a fintech, que agora mira oito milhões de espanhóis até o início de 2027.
Mais do que um marco de aquisição, os dados divulgados pela companhia, segundo reportagem da Forbes España, revelam uma mudança qualitativa na relação com o cliente. A ambição da Revolut é deixar de ser uma conta secundária, usada principalmente para viagens e transações internacionais, para se tornar a instituição financeira principal de seus usuários. A estratégia parece estar tracionando: o número de clientes que recebem seus salários diretamente na plataforma cresceu 69% no último ano.
A tese do 'super app' em prática
A estratégia da Revolut, verbalizada por seu diretor-geral na Espanha, Santiago Pérez Olano, é clara: usar uma única plataforma para cobrir mais necessidades financeiras do que a "proposta bancária tradicionalmente fragmentada". A tese do 'super app' financeiro ganha corpo com o aumento do engajamento. Nos últimos 12 meses, os clientes depositaram €1,8 bilhão, elevando o saldo total em contas remuneradas para €3,2 bilhões.
Essa profundidade é especialmente visível na demografia. A empresa afirma que um em cada três espanhóis entre 25 e 34 anos já possui uma conta na Revolut, indicando uma forte penetração no público que definirá o futuro do varejo bancário. Para esse grupo, a conveniência de ter investimentos, câmbio e serviços bancários diários em um só lugar supera a familiaridade dos bancos incumbentes.
O avanço sobre o mercado corporativo
O crescimento não se limita ao varejo. A Revolut também reportou ter alcançado 30 mil clientes empresariais na Espanha, com um aumento de 73% nos depósitos corporativos no último ano. Este movimento espelha uma tendência global entre as principais fintechs, incluindo as brasileiras como Nubank e Inter, que buscam no segmento de pequenas e médias empresas uma avenida de crescimento e rentabilização.
Ao atacar as frentes de pessoa física e jurídica simultaneamente, a Revolut cria um ecossistema mais resiliente e com maior potencial de 'cross-sell'. Um empreendedor que utiliza a plataforma para sua empresa tem mais incentivos para centralizar também suas finanças pessoais na mesma instituição, e vice-versa. Trata-se de construir um fosso competitivo não apenas com base em tecnologia, mas na integração de serviços.
O desafio para a Revolut, na Espanha e globalmente, transcende a aquisição de usuários. A questão agora é provar a rentabilidade sustentável de seu modelo de plataforma integrada frente a gigantes financeiros estabelecidos. O mercado espanhol, com sua alta bancarização e concorrência acirrada, serve como um laboratório crucial para essa ambição.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





