A fotografia financeira dos Estados Unidos em 2025 revela um quadro de crescente disparidade, onde a idade e a riqueza preexistente determinam o destino econômico dos americanos. Uma pesquisa recente do Federal Reserve, a Survey of Consumer Finances, publicada a cada três anos, detalha como as finanças pessoais evoluíram entre 2022 e 2025. Os resultados indicam que, enquanto a média geral de riqueza americana pode ter aumentado, os ganhos são desproporcionalmente concentrados nas mãos dos mais velhos e já abastados, deixando os mais jovens em situação cada vez mais precária.
Os dados compilados a partir de aproximadamente 4.300 lares americanos pintam um cenário onde as gerações mais novas enfrentam um declínio acentuado em seu patrimônio líquido. Em contrapartida, as faixas etárias mais avançadas não apenas mantiveram, mas expandiram significativamente suas fortunas. A pesquisa, realizada entre abril e maio de 2025, destaca que os ganhos de riqueza pós-pandemia estão desacelerando de forma geral, mas essa desaceleração não atinge a todos igualmente. A leitura aqui é que os mecanismos de acumulação de capital nos EUA favorecem drasticamente quem já possui capital, ampliando o fosso geracional e de classes.
A Fortuna dos Mais Velhos e o Declínio dos Jovens
Para os americanos entre 45 e 54 anos, o patrimônio líquido médio, ajustado pela inflação, atingiu US$ 1,24 milhão em 2025. Essa faixa etária, em particular, experimentou os maiores ganhos líquidos de patrimônio entre todas as categorias de idade. Em contraste, os americanos na faixa etária de 55 a 74 anos viram seu patrimônio líquido ajustado pela inflação girar em torno de US$ 1,88 milhão. Os mais velhos, com 75 anos ou mais, lideraram os ganhos, acumulando uma média de US$ 1,96 milhão e registrando um crescimento de 10% em seu patrimônio nos três anos anteriores. O relatório do Fed aponta que, pela primeira vez em anos, essa faixa etária mais idosa detém a maior riqueza, superando até mesmo aqueles que estão perto ou recém-aposentados.
A narrativa para os mais jovens, no entanto, é sombria. Pessoas com 35 anos ou menos viram seu patrimônio líquido despencar em 33% entre 2022 e 2025. Em 2022, americanos com menos de 35 anos possuíam, em média, US$ 200.800; em 2025, esse valor havia minguado para apenas US$ 135.400. Essa queda drástica sugere que as oportunidades de construção de riqueza para as novas gerações estão se esvaindo. Por outro lado, a faixa etária de 35 a 44 anos apresentou um desempenho mais resiliente, com uma média de US$ 682.000 em 2025, um aumento de 13% em relação a três anos antes. Contudo, a declaração do próprio survey é contundente: "O patrimônio líquido declinou substancialmente para as famílias mais jovens, ao passo que exibiu grandes ganhos para as mais velhas".
O Aprofundamento da Desigualdade de Riqueza
A disparidade de riqueza nos EUA está se ampliando anualmente. Entre 2022 e 2025, o patrimônio líquido mediano real nos EUA aumentou 2%. No mesmo período, o patrimônio líquido médio disparou mais de três vezes esse valor, com os ganhos no topo elevando a média geral. A pesquisa afirma que "as mudanças na riqueza em grande parte reforçaram os padrões existentes de desigualdade de riqueza por características familiares". Famílias jovens, inquilinos e lares sem diploma universitário viram seu patrimônio mediano e, por vezes, médio cair. Em contraste, famílias ricas e mais velhas experimentaram grandes ganhos tanto na riqueza média quanto na mediana.
A leitura aqui é que os mecanismos de acumulação de riqueza nos EUA, como investimentos em ativos imobiliários e financeiros, beneficiam desproporcionalmente aqueles que já possuem capital e têm mais tempo para que esses investimentos rendam. A falta de acesso a capital inicial, a dívidas estudantis elevadas e a salários estagnados para muitos jovens e trabalhadores sem ensino superior criam barreiras significativas para a construção de patrimônio. A pesquisa do Fed, ao segmentar os dados por idade e características socioeconômicas, expõe a fragilidade da "mobilidade social ascendente" para as novas gerações americanas.
Renda: Um Sinal Misto em Meio à Desigualdade
Para as famílias na extremidade inferior da distribuição de riqueza, a renda ofereceu uma história ligeiramente mais esperançosa. O rendimento mediano das famílias aumentou 7%, para US$ 82.200 em 2025, um salto em relação aos US$ 76.900 de 2022. No entanto, o rendimento médio das famílias caiu 6%, de US$ 155.300 em 2022 para US$ 145.200 em 2025. O survey conclui que "o aumento na renda mediana combinado com a queda na renda média indica que a distribuição de renda se estreitou entre as pesquisas de 2022 e 2025".
Essa dicotomia entre renda mediana e média sugere que a concentração de renda no topo pode ter diminuído ligeiramente, com mais pessoas se aproximando da mediana. Contudo, a queda na renda média aponta para uma diminuição da riqueza das faixas de altíssima renda, que historicamente puxam essa média para cima. Embora a desigualdade de renda possa ter apresentado sinais de melhora, ela não compensa a disparidade gritante observada na acumulação de patrimônio líquido. O cenário financeiro americano, portanto, permanece marcado por um abismo que se aprofunda, onde a idade e a riqueza inicial são os principais determinantes do sucesso econômico.
Perguntas em Aberto e o Futuro
O que permanece incerto é a sustentabilidade desses padrões de acumulação de riqueza. As políticas econômicas atuais nos EUA estão equipadas para mitigar a crescente desigualdade geracional e de classe? Ou as tendências atuais, impulsionadas por fatores como a valorização de ativos e a desigualdade de oportunidades, se intensificarão? A pesquisa do Fed serve como um alerta, mas as soluções para reverter esse quadro ainda são objeto de debate político e econômico.
Será crucial observar se as gerações mais jovens conseguirão, de alguma forma, recuperar o terreno perdido, ou se a tendência de concentração de riqueza continuará a moldar o futuro financeiro do país. A capacidade das políticas públicas de intervir e criar um ambiente mais equitativo para a construção de patrimônio será um fator determinante. O que se desenha é um desafio estrutural que exige atenção e ação.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company





