A Corte de Apelação de Paris decidiu nesta quarta-feira (22) manter Rachid H., 40, em prisão preventiva, negando seu pedido de liberdade. Ele é um dos suspeitos de integrar a quadrilha que invadiu o Museu do Louvre em outubro de 2025 e subtraiu joias da coroa avaliadas em cerca de US$ 100 milhões. O caso, que envolve um roubo audacioso e uma investigação repleta de contradições, expõe as dificuldades em desvendar crimes de arte de alta complexidade.
O roubo ocorreu na madrugada de um domingo, quando quatro indivíduos utilizaram uma escada motorizada para acessar a Galeria de Apolo pela janela do segundo andar. Em menos de sete minutos, eles quebraram duas vitrines e subtraíram oito peças de joalheria, incluindo uma coroa que pertenceu à Imperatriz Eugénie. A ação foi rápida, mas a fuga em duas scooters motorizadas não impediu o acionamento dos alarmes, que alertaram as autoridades. Embora as joias ainda não tenham sido recuperadas, a polícia avançou na identificação dos ladrões, prendendo dois suspeitos em menos de um mês.
A Teia de Depoimentos
Os primeiros detidos foram Abdoulaye N., 40, motorista de táxi sem licença e com antecedentes criminais, conhecido por suas proezas em motocross online, e Ghelamallah A., 36, um cidadão argelino desempregado. Ambos admitiram participação no roubo, mas seus depoimentos têm gerado mais perguntas do que respostas. Posteriormente, eles declararam aos investigadores que foram recrutados por um patrocinador não identificado, que lhes teria dado ordens apenas dias antes do crime. Segundo eles, o principal cúmplice, que seria o mentor intelectual, teria entrado no museu com os ladrões e permanecido foragido. Os homens presos posteriormente, incluindo Rachid H., teriam, segundo eles, sido apenas coadjuvantes sem conhecimento prévio do plano.
O Papel de Rachid H.
Rachid H. foi detido sob a suspeita de ter fornecido as chaves de um estacionamento em Aubervilliers aos assaltantes. Em janeiro, ele admitiu ter "passado" as chaves para "duas pessoas", mas negou qualquer conhecimento sobre o roubo em si. A defesa do suspeito argumenta que suas impressões digitais não foram encontradas nem no caminhão utilizado no roubo, nem no estacionamento onde as joias teriam sido entregues a um indivíduo não identificado. Essa linha de defesa busca desvincular Rachid H. da ação direta, sugerindo que ele pode ter sido usado sem saber da finalidade das chaves.
Implicações e Desafios da Investigação
A manutenção da prisão de Rachid H. indica que a corte considera a evidência, mesmo que circunstancial, suficiente para mantê-lo sob custódia. A complexidade dos depoimentos conflitantes sugere que a polícia pode estar lidando com uma rede criminosa mais elaborada do que aparenta, possivelmente com um mandante oculto e cúmplices ainda não identificados. Questões cruciais permanecem sobre a identidade do verdadeiro mentor, a extensão da participação de cada detido e o paradeiro das joias. O desfecho do caso dependerá da capacidade da promotoria em desvendar essas contradições e apresentar provas concretas que conectem todos os envolvidos no audacioso crime.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews





