Rudi Fuchs, um dos nomes mais influentes da curadoria e da crítica de arte na Europa, faleceu aos 84 anos em Amsterdã, conforme noticiado pela ARTnews. Sua partida deixa um vazio no campo da curadoria, especialmente após sua gestão no Stedelijk Museum, onde atuou de 1993 a 2004, e sua direção da Documenta 7 em 1982 — um marco na história das exposições de arte contemporânea.
Fuchs não foi apenas um diretor de museu; foi um arquiteto de visões, um curador que ousou desafiar convenções e apresentar ao público o que havia de mais pulsante na arte de seu tempo. Sua passagem pelo Castello di Rivoli, na Itália, como diretor artístico entre 1984 e 1990, também solidificou sua reputação como líder visionário. "Ao longo de sua vida profissional, ele se dedicou às artes visuais", declarou sua família, segundo a ARTnews, ecoando o legado de uma carreira inteiramente dedicada a decifrar, expor e promover a complexidade da produção artística.
V&A enfrenta cortes no programa educativo
Enquanto o mundo da arte se despede de Fuchs, o Victoria and Albert Museum (V&A) em Londres enfrenta seus próprios desafios. A direção do museu anunciou planos para reduzir seu programa de educação para adultos, o V&A Academy, alegando necessidade de otimizar operações e garantir sustentabilidade financeira. A decisão gerou surpresa entre a equipe, especialmente diante de relatos de que o programa teria registrado crescimento expressivo de receita nos últimos anos. Os cortes podem levar à demissão de até metade da equipe do programa, segundo informações da imprensa especializada. O V&A afirma estar em fase de consulta, mas a ameaça de cortes se estende a outros departamentos, em um cenário de tensões trabalhistas que já resultaram em greves.
Outros movimentos no mundo da arte
No mercado, uma pintura do século XVI recentemente atribuída a Giorgio Vasari, Transporte de Cristo ao Sepulcro, será leiloada em Milão com estimativa entre €200.000 e €250.000, segundo a imprensa especializada. Na Noruega, o governo israelense teria intervindo para impedir o leilão de um fragmento de pergaminho da Torá supostamente saqueado por oficiais nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.
No Japão, a ilha de Naoshima — conhecida pelas icônicas esculturas de abóbora de Yayoi Kusama — recebeu a visita de Hillary Clinton, que teria descrito a arte como "antídoto contra o entorpecimento e a falta de curiosidade", de acordo com relatos da mídia internacional.
Em Turim, três instituições celebram os 100 anos de Marisa Merz, a única mulher associada ao movimento Arte Povera, destacando a importância de revisitar contribuições de artistas que desafiaram as normas de gênero em suas épocas.
No calendário de feiras, o Art Basel Qatar se prepara para sua segunda edição em Doha, prometendo reunir 82 galerias de 37 países. O evento, assim como o Frieze Abu Dhabi, enfrenta escrutínio crescente quanto à sua viabilidade diante de tensões geopolíticas regionais.
Em um mundo cada vez mais complexo, a arte continua a ser campo de resistência e reflexão — mas sua própria infraestrutura institucional, de programas educativos a grandes feiras, parece cada vez mais pressionada.
*Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews





