A SaaSholic acaba de concluir a captação de seu terceiro fundo, levantando US$ 30 milhões para investir em empresas de software em estágio semente (seed). A captação foi ancorada pela gestora Spectra, com US$ 7 milhões, e por Ricardo Goldberg, da família fundadora da Lojas Marisa. A Evertec, que adquiriu a Sinqia, também entrou como investidora estratégica.
Fundada em 2019 por veteranos do ecossistema como Diego Gomes, da Rock Content, a gestora amplia sua ambição. Com o novo fundo, os cheques devem saltar para a faixa de US$ 1 milhão a US$ 1,5 milhão, buscando participações de 12% a 15%. A tese central, segundo os sócios, é que a inteligência artificial inaugurou a era dos “softwares agentes”, capazes de executar tarefas complexas e abrir mercados antes impensáveis.
A era do 'software agente'
Para a SaaSholic, o software como o conhecíamos “morreu”. A nova fronteira está em sistemas autônomos que não apenas auxiliam, mas agem em nome do usuário. Em entrevista ao Brazil Journal, o sócio William Cordeiro afirmou que, embora o boom de IA tenha inflado valuations, a gestora evita a euforia ao liderar rodadas e participar ativamente da construção da tese das investidas, garantindo maior poder de negociação.
Um exemplo prático dessa visão é o primeiro investimento do fundo, a Kapwork. A startup usa IA para exportar aos EUA o modelo brasileiro de registro de recebíveis, um mercado trilionário no Brasil, mas desregulado no mercado americano e suscetível a fraudes. A tecnologia permite auditar um volume massivo de duplicatas, algo que seria inviável com mão de obra humana.
A aposta na Venezuela
O segundo investimento do fundo III é mais heterodoxo: a PagoASAP, uma fintech na Venezuela. A SaaSholic aposta na reconstrução do país, investindo US$ 750 mil por 15% da empresa. A startup atua como um gateway de pagamentos que dolariza automaticamente os recebíveis para proteger os comerciantes da hiperinflação, uma mistura de Stripe com Wise.
Em apenas 12 meses e sem capital externo, a PagoASAP atingiu uma receita anualizada de quase US$ 3 milhões. Cordeiro classifica o investimento como um retorno às origens do “Adventures Capital”, um risco calculado que ocupa apenas 2% do fundo, mas com potencial de crescimento explosivo caso a tese macroeconômica sobre a Venezuela se concretize.
Com uma meta de 15 a 20 empresas no portfólio, a SaaSholic combina uma tese tecnológica sofisticada com apostas geográficas de alto risco. É uma estratégia que busca diferenciar a gestora no cenário de venture capital brasileiro, equilibrando a vanguarda da IA com a pura aposta na reconstrução de um mercado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Brasil Journal Tech





