O Banco Safra alterou sua recomendação para as ações da Klabin (KLBN11) de neutra para compra, estabelecendo um preço-alvo de R$ 21,10 para o encerramento do exercício de 2026. A mudança de postura ocorre após um período de desvalorização acumulada de quase 11% dos papéis no ano, movimento que os analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro interpretam como uma correção que já incorporou os principais fatores de risco do setor de papel e celulose.

O ajuste de expectativas no setor

A tese do Safra baseia-se na premissa de que o ceticismo dos investidores em relação à sustentabilidade da recuperação dos preços da celulose, somado à valorização de moedas locais, já foi absorvido pelo mercado. Este cenário de precificação, segundo a instituição, cria uma janela de oportunidade para investidores que buscam ativos com risco-retorno mais equilibrado. A leitura editorial é que o mercado estava operando sob um viés excessivamente pessimista, ignorando a resiliência operacional da empresa diante de um ambiente macroeconômico global ainda instável.

Riscos operacionais e a demanda chinesa

Embora a recomendação tenha sido elevada, o relatório mantém cautela sobre os volumes de papel da Klabin. Existe uma incerteza latente sobre a sustentabilidade das exportações observadas ao longo do ano, que podem ter sido impulsionadas por uma antecipação de embarques de carne bovina para a China — uma estratégia para contornar potenciais restrições tarifárias. Caso esse efeito de antecipação se confirme, o segundo semestre pode enfrentar uma desaceleração, o que impõe um desafio de curto prazo para a companhia manter o ritmo de entregas visto nos primeiros meses.

Preferências e comparativos setoriais

Dentro da cobertura do setor, o Safra mantém a Suzano (SUZB3) como sua principal aposta, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 53,00. A justificativa para a preferência pela Suzano reside em sua maior exposição direta à celulose, além de indicadores de fluxo de caixa livre mais robustos e uma estratégia agressiva de contratos de longo prazo. Em contrapartida, a chilena CMPC é vista com maior reserva, devido aos níveis de alavancagem mais elevados e ao ciclo intensivo de investimentos (capex) que pode pressionar o valor para o acionista nos próximos períodos.

Perspectivas para o mercado de celulose

O horizonte para as empresas brasileiras de papel e celulose permanece atrelado à volatilidade cambial e ao apetite de consumo dos mercados asiáticos. A consolidação dos preços da commodity será o fiel da balança para definir se o otimismo do Safra com a Klabin se traduzirá em valorização real até dezembro. O investidor deve monitorar atentamente a dinâmica de estoques e a consistência da demanda chinesa, fatores que permanecem como os principais vetores de incerteza para o setor no segundo semestre.

O movimento do Safra reflete a busca por ativos descontados em um setor cíclico que tenta encontrar um novo patamar de equilíbrio. Resta observar se o mercado seguirá essa perspectiva de precificação ou se novos dados macroeconômicos forçarão uma revisão das teses de investimento para as empresas de celulose nos próximos meses.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times