Após registrar uma desvalorização de 10,05% em sua carteira de ações durante o mês de outubro, o Safra anunciou uma reconfiguração estratégica para novembro. A decisão visa reduzir o risco geral da carteira e aumentar a exposição a empresas com histórico de pagamento de dividendos, consideradas mais resilientes em cenários de volatilidade e juros elevados.

O banco promoveu quatro trocas em sua seleção Top 10. Saem B3 (B3SA3), Gerdau (GGBR4), Rede D’Or (RDOR3) e Copel (CPLE3). Em seus lugares, entram Itaúsa (ITSA4), Suzano (SUZB3), TIM (TIMS3) e Eneva (ENEV3). A redução na participação da Vale (VALE3), de 10% para 7,5%, também faz parte dos ajustes, apesar de a mineradora permanecer na carteira.

Novos Focos: Dividendos e Menor Risco

Os estrategistas do Safra, Cauê Pinheiro, Luana Nunes e Yves Adam, justificam a mudança pela forte volatilidade observada em outubro. A estratégia para novembro é clara: "aumentar a alocação relativa em nomes de dividendos". Com essas alterações, a carteira passa a ter um beta de 0,91, indicando uma sensibilidade menor às oscilações do mercado em comparação ao Ibovespa. A Itaúsa assume o maior peso na carteira, com 15%. O banco destaca não apenas os dividendos, mas também o desconto da holding em relação ao seu principal ativo, o banco Itaú. A resistência do setor bancário em períodos de juros altos, a capacidade de aumentar a rentabilidade e o controle da qualidade do crédito são pontos fortes ressaltados.

A TIM também se junta à carteira com um peso de 8%, impulsionada por projeções de retorno em dividendos de 12% para 2027. O Safra percebe sinais de diminuição da concorrência no setor de telecomunicações, o que pode favorecer as operadoras. A entrada da TIM substitui a Rede D’Or, pois, apesar da avaliação positiva sobre a execução e portfólio da rede hospitalar, o cenário de alta dos juros em outubro sugere uma postura mais defensiva, dada a necessidade de investimentos contínuos da companhia.

Oportunidades na Celulose e Energia

A substituição de Gerdau por Suzano reflete uma perspectiva mais otimista para o setor de celulose, especialmente após anúncios de aumentos de preços. A exposição da Suzano a receitas dolarizadas e custos em reais a torna beneficiária da desvalorização do real, o que pode acelerar a redução de dívida e aumentar o retorno aos acionistas. A Eneva entra no lugar da Copel, aproveitando a correção das ações da empresa de energia em outubro. O Safra ressalta os contratos de receita fixa de longo prazo, reajustados pela inflação, e a baixa exposição da dívida da empresa à Selic. Novos projetos em operação também são vistos como um fator de impulso para os resultados e a geração de caixa.

A redução no peso da Vale, apesar de manter uma visão favorável à sua produção e custos, reflete uma cautela após os resultados trimestrais. Com o preço do minério de ferro em patamares considerados favoráveis e um real mais fraco, a expectativa de geração de caixa elevada permanece. Outras empresas que seguem na carteira incluem WEG (WEGE3), Caixa Seguridade (CXSE3), Petrobras (PETR4), Iguatemi (IGTI11) e Equatorial (EQTL3).

Desempenho e Perspectivas

Em outubro, a carteira Top 10 do Safra acumulou uma queda de 10,05%, superando o recuo de 9,88% do Ibovespa no mesmo período, quando se considera o reinvestimento de dividendos. No entanto, no acumulado do ano, a carteira mantém uma performance superior, com alta de 5,64% contra 4,22% do índice de referência. A estratégia de novembro, focada em dividendos e menor beta, busca proteger o capital e capturar valor em um ambiente de mercado incerto.

As escolhas do Safra para novembro sinalizam uma aposta em resiliência e geração de caixa. A diversificação entre setores e a seleção criteriosa de empresas com bons fundamentos e potencial de proventos buscam navegar um cenário econômico desafiador, com juros elevados e volatilidade persistente.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times