A discussão sobre o fim da escala 6x1, que hoje permite uma jornada semanal de até 44 horas, representa um novo desafio para o setor de saúde no Brasil. Uma proposta de emenda à constituição (PEC) que tramita no Congresso visa alterar essa regra e, segundo análise do banco Safra, sua aprovação deverá pressionar os custos das operadoras hospitalares, com um impacto bruto estimado entre 0,5% e 4,6% sobre o Ebitda de 2025. A Hapvida (HAPV3) se destaca como a empresa mais sensível a essa mudança, enquanto a Rede D’Or (RDOR3) é vista como uma escolha mais resiliente.

Impacto nos Custos e Ebitda

A proposta prevê a redução da jornada semanal, que cairia gradualmente para 42 horas em dezembro de 2026 e para 40 horas em dezembro de 2027. Isso implicaria na necessidade de aumentar o quadro de funcionários para manter o volume de horas trabalhadas. O Safra estima que, para compensar a redução da jornada, seria preciso ampliar em 4,8% o quadro de pessoal na primeira fase e em 10% na segunda, em comparação com a força de trabalho original sob a escala 6x1. Esses cálculos, baseados em simulações para 2025, projetam um aumento significativo nas despesas com pessoal, impactando diretamente a geração de caixa das empresas.

Mitigação e Adaptação do Setor

Contudo, o impacto nos resultados pode ser amortecido. O Safra aponta que, caso as companhias consigam repassar 75% do custo adicional aos preços de seus serviços, o impacto estimado no Ebitda de 2025 recua para uma faixa de 0,1% a 1,1%. A flexibilidade para negociar regimes de trabalho alternativos, como a escala 12x36, é vista como um fator crucial para a adaptação dos operadores hospitalares. Além disso, o período de transição previsto na proposta permite que as empresas busquem reajustes em contratos com operadoras de saúde e clientes corporativos, além de explorar outras alternativas como horas extras, banco de horas, reorganização operacional e automação.

Exposição da Hapvida e Resiliência da Rede D'Or

A Hapvida, por sua estrutura operacional e base de custos, é identificada como a empresa com maior exposição bruta ao aumento das despesas decorrente do fim da escala 6x1. Sua capacidade de repassar esses custos aos seus beneficiários e parceiros será determinante para mitigar o impacto em seus resultados. Em contrapartida, a Rede D’Or é mantida como a principal escolha do banco no setor, indicando uma maior capacidade de absorção e adaptação às novas exigências trabalhistas.

Perguntas em Aberto

Ainda que o Safra apresente projeções e cenários de mitigação, a capacidade de execução e a velocidade de adaptação de cada operadora a essas novas regras trabalhistas permanecem como pontos de atenção. A efetividade dos reajustes contratuais e a viabilidade de reorganizações operacionais em larga escala ainda precisam ser comprovadas. O primeiro ano completo com o impacto integral da jornada de 40 horas ocorreria em 2028, e será crucial observar como o setor de saúde brasileiro se ajustará a essa nova realidade.

A perspectiva do fim da escala 6x1 impõe um novo cenário de custos para o setor de saúde, exigindo estratégias adaptativas das empresas para manter a rentabilidade e a competitividade. A forma como Hapvida e outras operadoras gerenciarão essa transição definirá parte de seu desempenho futuro. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times