A cidade de Mariana (MG), epicentro do rompimento da barragem da Samarco em 2015, aderiu ao acordo de reparação proposto pela companhia. A decisão, que inclui outras 18 cidades, foi informada pelo Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), que media o processo. Com isso, 45 dos 49 municípios mineiros e capixabas atingidos passam a fazer parte do acerto.
O movimento representa um ponto de inflexão significativo, quase uma década após a maior tragédia socioambiental do país. A leitura é que a adesão em massa, especialmente a de Mariana, confere uma legitimidade decisiva ao acordo costurado no Brasil, enfraquecendo a tese de uma reparação paralela em cortes internacionais e isolando os poucos municípios que ainda resistem aos termos.
O peso simbólico e a pressão sobre os dissidentes
Para a Samarco – uma joint venture entre a Vale e a anglo-australiana BHP –, a aceitação de Mariana tem um peso que transcende o financeiro. A cidade que deu nome à tragédia era o principal símbolo da resistência e da busca por uma compensação mais robusta. Sua entrada no acordo, que prevê um total de R$ 170 bilhões em reparações, sendo R$ 6 bilhões destinados diretamente aos municípios, é um endosso poderoso à solução negociada pela justiça brasileira.
Estrategicamente, a decisão coloca em uma posição delicada os quatro municípios que ainda não assinaram: Ouro Preto, Governador Valadares, Resplendor e Colatina. A resistência inicial de muitas prefeituras era ancorada na esperança de um resultado mais vantajoso na ação bilionária que corre em Londres contra a BHP. Com a quase unanimidade em torno do acordo local, o poder de barganha dos dissidentes diminui, e a pressão política e jurídica para que aceitem os termos agora se intensifica.
O foco se desloca agora da negociação para a execução. Para as companhias, o horizonte de previsibilidade jurídica e financeira começa a se clarear. Para a Bacia do Rio Doce, a questão deixa de ser se haverá reparação via acordo e passa a ser como e quando os bilhões prometidos se transformarão em recuperação efetiva para as comunidades e o meio ambiente.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





