A marca de moda espanhola Victoria, parte do portfólio do grupo Scalpers, está desembarcando na América Latina. Os primeiros mercados a receber a grife, especializada em moda nupcial e de festa, são a Colômbia e o Peru. A entrada não se dará por meio de lojas próprias, mas sim através de uma aliança estratégica com a Malva, uma loja de departamentos de luxo e plataforma multimarca com forte presença na região.
O movimento, reportado pela Forbes España, sinaliza uma estratégia de internacionalização calculada. Em vez de um investimento direto e de alto risco, a Victoria opta por se associar a um parceiro local estabelecido para testar as águas. A tese é que, ao se aliar à Malva, a marca ganha acesso imediato a uma clientela qualificada e a pontos de venda premium, como os shoppings El Retiro em Bogotá e Jockey Plaza em Lima, além do e-commerce colombiano da varejista.
A aposta no parceiro local
A escolha de um parceiro estratégico como a Malva é um manual clássico de expansão para marcas do segmento premium. A complexidade de operar em novos mercados, especialmente na América Latina, envolve não apenas o investimento em imóveis e operações, mas também o profundo conhecimento do consumidor local, da logística e das nuances tributárias. Ao delegar a ponta do varejo a um player consolidado, a Victoria mitiga esses riscos e acelera sua curva de aprendizado.
Para a Malva, a parceria adiciona uma marca de autor europeia ao seu portfólio, reforçando seu posicionamento como curadora de luxo. Segundo Vicky Martín Berrocal, fundadora e diretora criativa da Victoria, a aliança foi a "melhor garantia para conectar de forma autêntica com o mercado". A leitura aqui é que a validação de um varejista local de prestígio serve como um selo de aprovação para a consumidora latino-americana, que busca marcas internacionais, mas confia na curadoria de players regionais.
Um mercado em maturação
A expansão responde a uma "crescente demanda de moda de autor com acento espanhol", segundo o comunicado da empresa. A América Latina, apesar de sua instabilidade econômica, continua a ser um mercado atrativo para bens de luxo e premium, com uma classe alta e média-alta disposta a consumir produtos de nicho, como moda para casamentos e eventos formais. O movimento da Victoria é um indicativo de que há espaço para crescer para além das gigantes globais do setor.
A estratégia de expansão da Victoria, que já marca presença em mercados tão diversos quanto Itália, Reino Unido, México e Qatar, parece ser metódica e focada em parcerias. A escolha da Colômbia e do Peru como portas de entrada na América do Sul pode ser vista como um passo calculado para consolidar a marca em economias andinas em crescimento, antes de uma possível incursão em mercados maiores e mais competitivos como o Brasil.
O sucesso da operação servirá de termômetro não apenas para a Scalpers, mas para outras marcas europeias de porte similar. Se o modelo de parceria com varejistas de luxo locais se provar eficaz, ele pode se consolidar como o caminho preferencial para a expansão no continente, oferecendo uma alternativa mais ágil e com menor queima de caixa do que a abertura de operações próprias.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





