Scott Kirby, CEO da United Airlines, é um exemplo de liderança que equilibra as demandas de uma das maiores companhias aéreas do mundo com uma vida pessoal estruturada. Longe de ser o executivo sobrecarregado que muitos poderiam imaginar, Kirby se descreve como uma das pessoas menos estressadas que se pode conhecer. Sua rotina diária, compartilhada em entrevista, revela um planejamento meticuloso que prioriza o bem-estar, a família e a eficiência, com uma perspectiva particular sobre o papel da inteligência artificial no trabalho.
Kirby, que se formou na Academia da Força Aérea dos EUA e possui mestrado em pesquisa operacional, construiu uma carreira sólida no setor aéreo, passando por diversas empresas antes de assumir a presidência da United há uma década e, posteriormente, a posição de CEO em 2020. Sua base em Dallas, no Texas, onde sua família reside, contrasta com a sede da empresa em Chicago, mas ele garante que essa distância não compromete sua gestão. A indústria aérea, segundo ele, é "nunca entediante", o que exige uma mente clara e focada, algo que sua rotina busca cultivar.
O Despertar e a Preparação
A manhã de Kirby começa cedo, entre 5h e 5h30, sem o uso de despertador. Ele valoriza as oito horas e meia de sono como fundamentais para o desempenho. Após acordar, inicia um ritual de exercícios físicos que inclui musculação, kettlebells, corrida e trabalho de core, alternando entre as modalidades. Durante os treinos, ele aproveita para ler e-mails e os principais jornais de negócios, como The Wall Street Journal e The New York Times, utilizando o tempo para pensar e refletir, especialmente durante as corridas em trilhas, onde evita música para maximizar a concentração.
Por volta das 7h, a rotina se volta para a família. Ele toma café da manhã com seus filhos, acompanhando-os à escola, um momento que ele descreve como particularmente importante, apesar do constrangimento que possa causar aos seus filhos adolescentes. Em paralelo, Kirby agenda reuniões de café da manhã de negócios uma ou duas vezes por semana, optando por estabelecimentos como o First Watch quando está sozinho, onde é um cliente conhecido.
Eficiência e Foco no Trabalho
O início oficial do expediente, por volta das 8h, é marcado por uma regra de ouro: não mais que quatro horas de reuniões diárias, idealmente entre duas e duas horas e meia. Kirby é crítico de reuniões meramente expositivas, preferindo discussões objetivas. A equipe executiva se reúne três vezes por semana, em sessões de uma a duas horas, focadas em conversas diretas, aproveitando o conhecimento mútuo construído ao longo do tempo.
O almoço é uma refeição rápida, muitas vezes concluída em cinco minutos, servindo apenas como combustível. Ele não se considera um "foodie" e, quando em casa, recorre a delivery ou ao que tem na geladeira. O tempo livre é preenchido com ligações telefônicas estratégicas ou visitas a colegas quando está no escritório, mantendo a comunicação fluida e a troca de informações constante.
Leitura e Antecipação
Uma parte significativa do dia, cerca de três horas, é dedicada à leitura, praticada enquanto caminha para atingir uma média diária de mais de 20.000 passos. Kirby lê aproximadamente um livro e meio por semana, com preferência por ficção científica. Ele acredita que a leitura é uma ferramenta poderosa para compreender o mundo e antecipar eventos. Um exemplo marcante foi a leitura de um livro sobre pandemias que o levou a alertar sua equipe sobre a COVID-19 semanas antes da notícia se tornar generalizada, permitindo à United Airlines levantar US$ 2 bilhões em financiamento antes que o mercado se tornasse instável.
Perspectiva sobre IA e o Fim do Dia
Às 17h, Kirby tenta estar disponível para seus filhos, participando de suas atividades e rotinas pós-escola. O jantar em família, por volta das 18h, é seguido por um ritual de 45 minutos com os filhos que inclui brincadeiras como esconde-esconde e perseguição, antes de encerrar com a leitura. A hora de dormir, por volta das 21h, garante que ele descanse o suficiente para o dia seguinte.
Kirby possui uma visão pragmática sobre a inteligência artificial. Ele a considera poderosa, mas critica o uso superficial de resumos de e-mails ou tarefas repetitivas. Para ele, a IA é mais valiosa em áreas onde a capacidade humana é limitada, como na programação. Ele mesmo utilizou um tutor de IA para aprender a programar, desenvolvendo ferramentas que antes seriam impraticáveis para a United Airlines. Ele descarta a ideia de um "apocalipse de empregos" causado pela IA, argumentando que o custo computacional ainda é proibitivo para substituições em massa e que a precisão das respostas da IA ainda é questionável sem supervisão humana.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





