A Securitize, empresa especializada em tokenização de ativos financeiros, estreou na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) na última quinta-feira. A listagem ocorreu após a conclusão de uma fusão com a Cantor Equity Partners II, uma empresa de aquisição de propósito específico (SPAC), em uma operação que avaliou a companhia em US$ 1,25 bilhão e captou US$ 400 milhões para os cofres da organização.
Embora as ações tenham registrado uma leve oscilação negativa no pré-mercado, o papel subiu cerca de 3% após a abertura dos negócios. Segundo reportagem da Fortune, cerca de 71% do capital disponível na SPAC permaneceu na estrutura da empresa, um indicador de confiança dos investidores em um momento de consolidação para o setor de infraestrutura cripto.
O papel da BlackRock na estratégia
A trajetória da Securitize, fundada em 2017 por Carlos Domingo e Jamie Finn, está intrinsecamente ligada à aproximação entre o mercado financeiro tradicional e a tecnologia blockchain. A empresa ganhou tração ao auxiliar gestoras como a VanEck no lançamento de fundos tokenizados de títulos do Tesouro americano, além de colaborar com a própria BlackRock na criação do BUIDL, um fundo de mercado monetário tokenizado.
O suporte da gigante de ativos não é apenas estratégico, mas também financeiro. Em 2024, a BlackRock liderou um aporte de US$ 47 milhões na startup, consolidando a Securitize como uma peça central na aposta da instituição para a digitalização de ativos. Essa parceria confere à Securitize uma legitimidade institucional que poucos players nativos do ecossistema cripto conseguiram alcançar até o momento.
Mecanismos de mercado e tokenização
O modelo de negócio da Securitize baseia-se na criação de wrappers de blockchain para ativos tradicionais, como ações e ETFs. A empresa planeja, inclusive, emitir uma versão tokenizada de suas próprias ações recém-listadas. Essa estratégia visa demonstrar a viabilidade prática de sua tecnologia em um ambiente regulado, reduzindo atritos operacionais e custos de liquidação que ainda caracterizam o mercado financeiro convencional.
O entusiasmo em torno da tokenização contrasta com o cenário mais amplo do mercado cripto, que tem enfrentado instabilidades e escassez de IPOs. Enquanto players como a Kraken adiaram seus planos de abertura de capital devido a condições macroeconômicas hostis, a Securitize aproveita a demanda institucional por eficiência blockchain. O movimento de bancos como Citi, JPMorgan e Bank of America, que planejam redes de depósitos tokenizados para 2027, sugere que a infraestrutura da Securitize está alinhada a uma tendência estrutural do setor bancário.
Implicações para o ecossistema
A abertura de capital da Securitize sinaliza uma mudança no perfil das empresas cripto que acessam o mercado público. Diferente da primeira onda de exchanges e emissores de stablecoins, como Circle e Gemini, a Securitize foca em infraestrutura de back-office para instituições financeiras. Isso coloca a companhia em uma posição de fornecedora de tecnologia, sujeitando-a aos rigores regulatórios e de compliance exigidos pelos grandes bancos americanos.
Para o mercado brasileiro, que tem acompanhado de perto a evolução dos ativos tokenizados via iniciativas como o DREX, a trajetória da Securitize serve como um termômetro global. A capacidade de integrar ativos tradicionais em redes permissionadas ou públicas de blockchain é o desafio central para reguladores e instituições financeiras que buscam modernizar o sistema de pagamentos e a custódia de valores mobiliários.
Perspectivas e incertezas
Apesar do otimismo, permanece a dúvida sobre a escala real da adoção da tokenização no curto prazo. O setor ainda enfrenta desafios de interoperabilidade entre diferentes redes blockchain e a necessidade de padronização jurídica para ativos digitais em diversas jurisdições globais.
O mercado observará atentamente como a Securitize gerenciará o volume de transações em sua plataforma e se o interesse institucional será suficiente para sustentar o valuation de US$ 1,25 bilhão diante de possíveis oscilações no apetite por risco tecnológico.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





